Lula e os Sindicatos: Reconstrução do Poder Comprado e Retorno à Esperança

Reconstruindo o Futuro: Um Balanço da Luta Trabalhista em 2026
Quando a resistência contra o desmantelamento do Estado brasileiro e a privatização da Petrobras ganhou força nos anos que antecederam 2023, a reconstrução não foi uma tarefa simples. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou um momento crucial, um respiro democrático após um período de intensa crise e a interrupção de políticas que ameaçavam os direitos da classe trabalhadora.
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Hoje, mais de três anos após esse novo ciclo, é fundamental que os sindicatos realizem uma análise crítica do progresso alcançado e dos desafios que ainda persistem.
Conquistas Reais e o Retorno do Poder Comprado
A retomada do protagonismo do Estado e a defesa dos trabalhadores foram elementos-chave nesse período. A luta por salários justos, especialmente para os petroleiros, sempre esteve intrinsecamente ligada à defesa da soberania nacional. Um marco importante foi o fim do arrocho e a volta do ganho real, que permitiram um aumento significativo no poder de compra dos trabalhadores.
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Entre 2024 e 2026, o salário mínimo cresceu de R$ 1.412,00 para R$ 1.621,00, injetando bilhões na economia real e impulsionando o consumo. Os números do IBGE revelam um aumento médio da renda média do trabalhador brasileiro para R$ 3.378 no início de 2026, com um ganho real de 3,6% no ano, indicando um retorno do poder de compra e da esperança.
Emprego e a Luta Contra a Precarização
A geração de empregos formais também apresentou sinais de recuperação. Em 2023, foram criadas 1,4 milhão de vagas com carteira assinada, e em 2025, 38,9 milhões de brasileiros estavam empregados com essa modalidade, com um índice de desemprego de 5,6%, o menor da série histórica iniciada em 2012.
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No entanto, o movimento sindical reconhece que o simples acesso ao emprego não é suficiente; é preciso garantir empregos dignos, com condições de trabalho justas e seguras. A reforma trabalhista de 2017, que legalizou o bico e a precarização, deixou marcas profundas, e a mobilização sindical busca a proteção dos trabalhadores terceirizados, com a garantia de reembolso-creche e a redução da jornada para 60 mil profissionais da Administração Pública Federal.
Fim da Escala 6×1: Uma Vitória da Mobilização
Uma das pautas que unificou a classe trabalhadora foi a luta contra a escala 6×1, que impunha revezamentos ininterruptos de turnos. Em abril de 2026, o envio do projeto de lei pelo Congresso Nacional, que prevê o fim dessa escala e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais, representou uma vitória da mobilização popular.
A garantia de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial, para 14 milhões de brasileiros é uma questão de saúde pública e dignidade humana, embora o movimento sindical esteja atento à resistência do capital financeiro e do lobby patronal no Congresso.
Justiça Fiscal e Social: Avanços e Desafios
Além das conquistas relacionadas ao emprego, o governo também implementou medidas de justiça fiscal e social. A sanção da Lei nº 14.611/2023, que garante a igualdade salarial entre homens e mulheres na mesma função, é um avanço civilizatório, especialmente em um contexto de crescente presença feminina nas bases sindicais.
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda até R$ 5.000,00 e a quitação de dívidas de 15 milhões de famílias também representam importantes avanços. No entanto, o movimento sindical reconhece que a luta continua para garantir uma distribuição mais justa da riqueza e para combater as desigualdades sociais.
O balanço é positivo, mas a luta não terminou. A Petrobrás voltou a investir no Brasil, o PAC foi retomado e os direitos sociais estão sendo reconstruídos. Contudo, a correlação de forças no Congresso Nacional ainda é amplamente desfavorável aos trabalhadores.
Cada conquista listada aqui não foi um presente, mas fruto de pressão, negociação e resistência. O fim da escala 6×1, a revogação dos entulhos da reforma trabalhista e a defesa incondicional das nossas estatais exigem um movimento sindical forte, unido e com os pés no chão de fábrica.
Avançamos muito desde 2023, mas o horizonte que buscamos — uma sociedade verdadeiramente justa, soberana e igualitária — ainda exige muito suor e muita luta. Sigamos firmes! Viva o 1º de maio! Viva os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil!
Tezeu Bezerra é diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Sindpetro-NF e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores do estado do Rio de Janeiro.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



