Brasil enfrenta crise de confiança e ascensão do conservadorismo em 2026

Pesquisas mostram crescimento de valores como ordem, autoridade e tradição, e a centralidade das pautas morais no debate político.

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Foto: Reprodução
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Insegurança e a reconfiguração política no Brasil em 2026

A percepção de insegurança, analisada em diversas pesquisas, não se limita à violência. Ela se manifesta como uma demanda mais ampla por estabilidade, previsibilidade e pertencimento, intensificada por contextos de incerteza econômica e desigualdade.

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Em 2026, a adesão a valores de ordem, autoridade e tradição cresceu, refletida em pesquisas como o World Values Survey, realizadas em diferentes países. Essa tendência impacta a política, que deixa de ser predominantemente estruturada por variáveis econômicas, incorporando disputas morais, culturais e identitárias.

A mudança na percepção política

Essa mudança na forma como a política é entendida não é exclusiva do Brasil. Observa-se um movimento global de reconfiguração política, em democracias onde os princípios democráticos estão perdendo credibilidade. Levantamentos do Pew Research Center em meados da década de 2020 revelaram que cerca de 65% da população em mais de trinta países expressava insatisfação com o funcionamento da democracia, com apenas 34% demonstrando confiança no governo e menos de 30% acreditando ter influência nas decisões públicas.

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Na América Latina, dados do Latinobarômetro indicavam que aproximadamente 54% aceitariam um governo não democrático caso ele resolvesse seus problemas, enquanto a confiança nas instituições permanecia baixa, em torno de 20%. A combinação de frustração econômica, insegurança social e descrédito institucional criava um terreno fértil para discursos que prometiam ordem, proteção e clareza moral.

O caso brasileiro: valores em transformação

O avanço do conservadorismo no Brasil é um fenômeno global com características regionais específicas. Pesquisas de opinião apontam para a centralidade da dimensão moral no debate público. Levantamentos do Datafolha indicavam que, em 2023, 96% dos brasileiros atribuíam grande relevância à família, enquanto mais de 60% valorizavam a autoridade e a obediência.

A centralidade das pautas comportamentais

A ascensão do conservadorismo está diretamente associada à centralidade das chamadas pautas comportamentais: família, moralidade, educação, gênero e religião. Dados do World Values Survey indicam que cerca de 70% dos brasileiros atribuem grande relevância à religião na formação dos filhos.

A influência da identidade religiosa

A força dessas pautas não pode ser compreendida sem considerar sua mediação. Redes sociais, mídias religiosas e influenciadores desempenharam um papel decisivo na difusão e consolidação desses valores. Em 2023, a pesquisa Quaest indicou que o Brasil havia retrocedido à posição mais conservadora que tivera em 1997, com esse retrocesso acelerado a partir de 2018.

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O retorno da direita e a normalização da extrema-direita

Esse ambiente comunicacional e simbólico contribuiu para um fenômeno de maior envergadura: o retorno explícito da direita como identidade política legítima e a normalização de posições associadas à extrema-direita no Brasil. A direita não apenas retornou abertamente ao espaço público, mas também segmentos radicalizados reivindicaram explicitamente posições de extrema-direita, incorporando elementos autoritários, com discursos ultranacionalistas e antissistêmicos.

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