Lula desautoriza dragagem emergencial no Tapajós e El Niño gera preocupação na região

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não autorizar a retirada emergencial de sedimentos no rio Tapajós, apesar das previsões de seca extrema e do risco ao transporte de grãos na região. A decisão foi tomada durante uma reunião no Palácio do Planalto, na tarde desta quinta-feira (23), que contou com a presença de ministros e representantes de comunidades indígenas.
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Lula contrariou as recomendações de seus auxiliares para iniciar imediatamente a dragagem do rio, que deve ser severamente afetado pelo “Super El Niño” nos próximos meses.
A reunião reuniu líderes do governo, incluindo a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, além de representantes dos Ministérios dos Transportes, Portos e Aeroportos, Minas e Energia, Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.
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Segundo relatos feitos à CNN, lideranças das comunidades locais ameaçaram fazer protestos e escalar o tom contra as obras, em pleno calendário eleitoral.
Histórico de conflitos na região
Entre janeiro e fevereiro deste ano, indígenas de 14 etnias ocuparam o terminal da Cargill em Santarém (PA) por quase um mês. O protesto foi contra uma dragagem planejada para o rio e as ações relacionadas à concessão da hidrovia do Tapajós. O projeto de dragagem do Dnit acabou sendo engavetado.
Com a iminência do fenômeno climático El Niño em alta intensidade, tanto o governo quanto o setor privado estão em alerta. Um acordo entre o Dnit e a Abani (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior) foi resgatado. As empresas que operam no transporte fluvial se comprometeram a financiar integralmente uma dragagem emergencial, cobrindo todas as despesas com execução das obras.
Assim, ao governo restaria apenas a fiscalização.
O novo plano prevê intervenções muito mais limitadas: ao invés da remoção inicial de 3 milhões de metros cúbicos de sedimentos ao longo de três anos, agora se trabalha com intervenções em menos de 2% da extensão navegável do rio (cerca de quatro quilômetros) e apenas 1 milhão de m³, em sete pontos entre Miritituba e Santarém.
O trabalho deverá ser realizado em um prazo estimado entre 90 e 100 dias.
Consequências econômicas da decisão
Especialistas alertam que sem essa dragagem há um alto risco de paralisação parcial ou total do transporte fluvial pelo Tapajós devido às condições climáticas adversas previstas. O fenômeno El Niño é conhecido por causar aquecimento das águas do Oceano Pacífico, afetando padrões climáticos globalmente.
No Brasil, isso geralmente resulta em mais chuvas na região Sul e seca no Norte, impactando diretamente os níveis dos rios amazônicos.
A diminuição na navegabilidade do Tapajós pode comprometer o escoamento entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de grãos neste ano — especialmente soja e milho. Em 2027, os efeitos poderão ser ainda mais severos se a duração do fenômeno for prolongada.
Para os produtores rurais da região Norte de Mato Grosso, isso significa custos adicionais significativos para armazenar suas colheitas ou buscar portos alternativos mais distantes como Santos (SP) ou Itaqui (MA), gerando uma conta extra estimada em R$ 500 milhões.
A redução na movimentação também impacta os negócios dos terminais portuários no Arco Norte e pode aumentar as emissões de gases poluentes. Um comboio típico composto por 25 barcaças transporta o mesmo volume que 1.700 caminhões ou seis trens com 150 vagões cada.
As projeções apontam que restrições ao uso do Tapajós podem resultar na emissão adicional de cerca de 55 mil toneladas de CO 2.
Embora as barcaças possam continuar navegando, elas terão que carregar menos mercadorias para evitar encalhar nos sedimentos acumulados pela falta da dragagem.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
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