Kilter defende demissão de funcionários que apoiam Lula e diz que o movimento está crescendo
A iniciativa defende que empresários demitam funcionários que tenham manifestado apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou comentado o voto nele.
No vídeo, Kilter comemora relatos de pessoas que dizem ter perdido o emprego após declarar preferência pelo petista. Ele também afirma que o movimento está crescendo.
Lista com estabelecimentos circula em grupos de Teresópolis
Entidades de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, repudiaram na terça-feira (27) uma campanha de boicote a comércios e estabelecimentos que, segundo a campanha, seriam de donos apoiadores de Lula. A ofensiva surgiu depois da vitória do presidente reeleito sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no domingo (25).
Desde então, uma lista com alguns estabelecimentos que não teriam apoiado Flávio passou a circular em grupos de mensagens do município. O material pede que a população deixe de consumir nesses locais.
A CNN Brasil teve acesso à lista e a um vídeo gravado pelo advogado Klauss Fins. Nas imagens, ele usa uma camisa amarela com a frase “Meu partido é o Brasil” e defende que se coloque uma “estrela vermelha” na porta dos negócios cujos donos “são petistas”.
“Já que aqueles petistas acreditam que o PT é o melhor para o país, votaram no Lula e elegeram teoricamente esse presidente, eles é que toquem o negócio deles com o Lula na Presidência. Mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer. Já existe um movimento para que não se compre, não se prestigie e não se negocie com petistas porque eles acabaram com a economia do país”, diz ele. “Negocie somente com patriotas”, ressalta na gravação.
A reportagem pediu um posicionamento de Klauss, mas ainda não obteve resposta. Em outro vídeo, homens vestidos com a camisa da Seleção Brasileira ateiam fogo a uma bandeira de Lula e jogam o material incendiado no meio da rua.
Prefeitura e partidos condenam a intimidação
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Teresópolis afirmou que divergência política não justifica perseguição. A administração disse repudiar práticas de intimidação, constrangimento e incentivo ao boicote ao comércio por posicionamentos partidários.
“Empreendedores e trabalhadores são fundamentais para o desenvolvimento da cidade, a geração de empregos e o fortalecimento da economia. Nenhuma disputa partidária deve ser usada para prejudicar atividades comerciais e profissionais”, afirma a administração municipal.
O diretor do PL (Partido Liberal) na cidade, Alex Castellar, também divulgou nota dizendo que trabalhadores não podem ser discriminados por opiniões políticas. “A liberdade de escolha é um direito constitucional, e respeitá-la é um dever de todos”, escreveu ele.
PT compara lista a campanhas contra judeus na Alemanha nazista
O diretório do PT de Teresópolis também repudiou os atos. Em conversa com a imprensa, a legenda lembrou que práticas desse tipo evocam a Alemanha nazista, época em que campanhas de boicote tinham judeus como alvo.
No comunicado, o partido classifica a lista como “inadmissível”, “grave” e uma forma de “intimidação”.
O Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis disse repudiar o incentivo à hostilidade. Para a entidade, “o fortalecimento do comércio depende de um ambiente de confiança, respeito e valorização dos empreendedores e trabalhadores”.
Já a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na cidade afirmou, em nota, que a liberdade de expressão e o respeito às divergências são pilares de uma sociedade democrática. “Intimidação, perseguição política, assédio e constrangimento com motivação política não serão aceitos e são repudiados”, destacou a entidade.
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