Itaú, Bradesco e Santander somam lucro de R$ 22,61 bilhões no 3º tri, com Itaú mais estável

Juros altos e incerteza fiscal pesam sobre os próximos trimestres, com o Santander sentindo mais o golpe e o Bradesco em recuperação.

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Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar a temporada de balanços de bancos Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) | Imagem gerada por inteligência artificial
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O lucro dos três maiores bancos privados de varejo do Brasil cresceu no terceiro trimestre, mas nem todos colheram o mesmo resultado. Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) somaram R$ 22,61 bilhões no período, alta de 2,4% ante o mesmo trimestre do ano passado.

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Por trás do número, os balanços revelam como cada banco está lidando com o crédito mais caro e com o aperto no orçamento de famílias e empresas. Enquanto o Santander sentiu o golpe com mais força, o Bradesco seguiu em recuperação e o Itaú manteve os indicadores mais estáveis.

Juros altos e incerteza fiscal pesam sobre os próximos trimestres

O cenário econômico ajuda a explicar as diferenças entre os resultados e, ao mesmo tempo, impõe desafios para os próximos trimestres. Com a renda das famílias comprometida por dívidas e o custo do crédito ainda elevado, consumidores e empresas têm menos folga para pagar suas contas em dia.

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Para os bancos, isso significa mais risco de inadimplência e a necessidade de reforçar as provisões para eventuais calotes. O alívio, por sua vez, ficou mais distante. A reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reacendeu as preocupações com a trajetória das contas públicas.

Até agora, o governo deu poucos sinais de que vai executar um ajuste fiscal relevante. Esse ajuste é visto como uma das condições para que o Banco Central consiga cortar a Selic, hoje em 13,75% ao ano, em ritmo mais rápido. Analistas do Citi avaliam que os juros altos por mais tempo também mudam a forma como o mercado enxerga os bancos. “O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios [bancários] com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo”, afirmam.

Bradesco avança em lucro, mas ROE recua com aumento de capital

O Bradesco abriu a temporada de balanços dos grandes bancos e somou seu 11º trimestre consecutivo de crescimento do lucro líquido na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O montante chegou a R$ 7,1 bilhões, sustentado pelas receitas de serviços, que se mostraram resilientes, e pelo controle de despesas.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), porém, caiu para 15,6%. Boa parte dessa queda vem do aumento de capital de R$ 10 bilhões feito pelo banco. Sem essa operação, o indicador ficaria praticamente estável, em 16,1%.

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Ao comentar os números, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, admitiu que o momento pede prudência. “Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, afirmou.

Santander tem lucro 28% menor e rentabilidade abaixo da meta

No Santander Brasil, a pressão foi bem mais forte. O lucro líquido recuou 28% ante o terceiro trimestre do ano passado, para R$ 2,9 bilhões. Já o ROE caiu para 11,9%, uma redução de 5,6 pontos porcentuais na comparação anual.

O resultado está longe da meta da matriz espanhola, que quer levar a rentabilidade da operação brasileira a 20% até 2028. Na Europa, as ações do grupo Santander negociadas em Madri chegaram a cair 5%, em parte por causa do desempenho no Brasil.

Entre os problemas da operação estão a piora nas carteiras de agronegócio e de clientes de baixa renda, que são mais sensíveis a atrasos de pagamento. O banco também reorganiza sua carteira, processo que deve ajudar a recuperar os indicadores, mas que traz ajustes no caminho.

Em teleconferência com analistas, o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, reconheceu que a rentabilidade está abaixo do patamar desejado. “São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, afirmou. “Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco.”

Itaú mantém a maior rentabilidade entre os três

O Itaú fechou o trimestre em situação mais confortável. O banco teve lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e ROE de 23,6%, o maior entre os três. O resultado foi relativamente estável e refletiu a disciplina na gestão de crédito e custos.

A estratégia de priorizar linhas de crédito consideradas mais seguras, adotada antes da piora do ciclo econômico, ajuda a explicar essa resiliência. Ainda assim, a geração de receitas foi mais fraca, sobretudo no banco de investimento, o que mostra que o Itaú também enfrenta dificuldades em algumas frentes.

Em entrevista à Broadcast, o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do Itaú, Renato Lulia, comparou o desempenho do banco com o dos concorrentes. “Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, afirmou.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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