Por que Itaú, Bradesco e Santander lucram R$ 22,61 bi mesmo com inadimplência em alta

Santander sente mais a pressão em agronegócio e baixa renda, enquanto o Itaú se mostra mais resiliente e a Selic de 13,75% limita o alívio à frente.

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Bancos | Foto: Reprodução/Money Times
Bancos | Foto: Reprodução/Money Times

Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil somaram lucro combinado de R$ 22,61 bilhões no terceiro trimestre, segundo dados compilados pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O resultado cresce 2,4% ante igual período do ano passado e 0,6% em relação aos três meses imediatamente anteriores.

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As casas consultadas pelo Prévias Broadcast esperavam ganho agregado de R$ 22,6 bilhões no trimestre encerrado em setembro. O trio ficou, portanto, um pouco acima das projeções.

Inadimplência pesa de forma desigual sobre os bancos

O aperto no orçamento das famílias e no caixa das empresas dominou a temporada de balanços, num momento em que os juros caem devagar. Quem vê a renda comprometida deixa de honrar dívidas em dia, e a inadimplência no setor bancário sobe como consequência.

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O problema apareceu nos três balanços, mas com intensidades diferentes. O Santander é o que mais sente a pressão, por causa de dificuldades nas carteiras de agronegócio e de baixa renda.

No Bradesco, a recuperação estrutural que vem sendo feita há dois anos ganhou novos contornos positivos. Ainda assim, o ambiente macroeconômico apertado atrasou a melhora da rentabilidade e a inadimplência sofreu um revés.

Já o Itaú seguiu como o mais resiliente do grupo. A explicação passa por uma gestão de risco disciplinada, que já privilegiava linhas de crédito mais seguras antes de o ciclo piorar.

Juros altos e fiscal travam o horizonte

A reação do mercado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a complicar ainda mais o cenário. O petista deu poucos sinais de que vai levar adiante um ajuste fiscal relevante, condição vista como essencial para o Banco Central reduzir a Selic com mais rapidez. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano.

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“O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios bancários com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo”, afirmam analistas do Citi.

Bradesco segue com lucro em alta, mas rentabilidade recua

O Banco da Cidade de Deus, que abriu a temporada de balanços, teve o 11° trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, que chegou a R$ 7,1 bilhões. O avanço veio da resiliência das receitas com serviços e do controle dos custos.

Por outro lado, o retorno sobre patrimônio caiu para 15,6%. Sem o efeito das operações de aumento de R$ 10 bilhões no capital, a métrica teria ficado praticamente estacionada em 16,1%.

Ao apresentar os números, o presidente Marcelo Noronha reconheceu o quadro macro complexo. “Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, disse.

Santander e Itaú têm desempenhos opostos

No Santander, o lucro líquido despencou 28% na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. Com isso, o retorno sobre o patrimônio ficou 5,6 pontos porcentuais mais baixo, em 11,9%, distante da meta de 20% até 2028 estabelecida pela matriz espanhola.

Em Madri, a ação da matriz recuava 5%, em parte por influência do Brasil. “São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, admitiu o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, em teleconferência com analistas. “Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco”, argumentou.

O Itaú, por sua vez, teve um trimestre de relativa estabilidade, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e RoE de 23,6%, de longe o maior do setor. O banco manteve disciplina na gestão do crédito e dos custos, mas mostrou fraqueza na geração de receitas, sobretudo em bancos de capitais.

“Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, disse o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia, em entrevista à Broadcast.

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