Irã cria canal formal para registrar violações dos EUA a acordo

Irã formaliza mecanismo para registrar violações americanas e cobra o desbloqueio de fundos e US$ 300 bilhões para a reconstrução.

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Kazem Gharibabadi, vice-chancelar do Irã, confirmou negociações com o Catar acerca da liberação de ativos congelados | Foto: Reprodução

O Irã anunciou na quarta-feira (1º) a criação de um canal formal para registrar violações cometidas pelos Estados Unidos.

Segundo o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, o novo mecanismo servirá para registrar qualquer descumprimento que Washington venha a cometer. A decisão foi tomada em reuniões técnicas realizadas nesta semana em Doha, capital do Catar, com a participação de representantes do Paquistão e do Catar.

Reuniões trilaterais abordam cessar-fogo no Líbano

Nos encontros, os participantes examinaram relatórios sobre o envio de equipamentos militares americanos a forças no Líbano.

Gharibabadi afirmou ainda que a delegação iraniana analisou documentos sobre possíveis descumprimentos da cláusula 1 do memorando sobre a interrupção dos combates no Líbano, além de outros materiais fornecidos por autoridades americanas.

Demanda iraniana: fundos congelados e reconstrução

No plano mais amplo, o entendimento entre os países prevê um acordo final em até 60 dias. O objetivo principal é aliviar as restrições ao trânsito no Estreito de Ormuz, mas a situação ainda é frágil e preocupa a comunidade internacional.

Israel manifestou insatisfação logo após o anúncio do entendimento em Doha.

A pauta mais urgente para o Irã é financeira: o país cobra o desbloqueio de fundos iranianos congelados no exterior e o pagamento de US$ 300 bilhões para a reconstrução da infraestrutura danificada pelos ataques americanos e israelenses.

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Em paralelo, Gharibabadi se reuniu com autoridades do Banco Central do Catar para discutir como destinar a primeira parcela de recursos, que soma US$ 6 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões).

“Decidiu-se de acordo com as necessidades anunciadas pelo nosso país [o Irã], e será realizada e disponibilizada ao Irã a compra dos bens necessários”, afirmou.

Ausência de diálogo direto entre EUA e Irã

Mesmo com os avanços em Doha, ainda não houve contato direto entre os governos iraniano e americano. A delegação dos EUA esteve no Catar nesta semana, mas se reuniu apenas com altos funcionários catarianos. Os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram na cidade durante as negociações técnicas.

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