Governo Trump ignora prazo de 31 parlamentares dos EUA sobre suposta interferência no Brasil

O governo do presidente Donald Trump ignorou o prazo dado por um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos para responder a questionamentos sobre uma suposta interferência nas eleições brasileiras. Os congressistas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, com sete exigências e pedidos de esclarecimento, estipulando o dia 1º de outubro como data limite para a resposta.
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Até agora, o silêncio foi total.
De acordo com o gabinete da deputada democrata Delia Ramirez, do estado de Illinois, não houve qualquer retorno do chefe da diplomacia americana. Um assessor da parlamentar afirmou à CNN Brasil que, “como é de praxe na administração Trump, o prazo não foi cumprido”.
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O gabinete já reiterou a cobrança ao Departamento de Estado e segue monitorando de perto o andamento do processo eleitoral brasileiro.
Parlamentares de oposição lideram cobrança
A lista de signatários inclui nomes de peso da oposição a Trump, como o senador independente Bernie Sanders e a deputada democrata Alexandria Ocasio – Cortez, conhecida como AOC, além de outros 29 deputados democratas. Na carta, eles manifestaram “grave preocupação” com o que chamaram de um esforço coordenado do governo americano para “ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental” às vésperas da eleição presidencial brasileira, marcada para outubro de 2026.
Os parlamentares citaram o tarifaço imposto por Trump ao Brasil e as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como exemplos de uma “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil”. A avaliação do grupo é que as medidas vão além de uma simples divergência diplomática e representam uma ingerência direta no processo político brasileiro.
As sete exigências ao governo americano
No documento, os congressistas elencaram uma série de pedidos formais. Eles querem que o governo Trump forneça a metodologia usada para “revisar e avaliar submissões, petições ou materiais relacionados a potenciais designações de sanções” enviados por cidadãos estrangeiros.
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Também pedem uma “explicação detalhada dos padrões probatórios e jurídicos” que levaram à sanção do ministro do STF Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, classificando a medida como “sem precedentes” por atingir um jurista de uma nação parceira democrática.
Outro ponto de cobrança é a justificativa para a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Os parlamentares destacam que a medida foi tomada “sob objeção do governo Lula e apesar de suas repetidas propostas para expandir a cooperação EUA – Brasil no combate a organizações criminosas transnacionais”.
Além disso, o grupo quer saber como o governo Trump“coordena seus objetivos de democracia e direitos humanos com parceiros regionais” na América Latina, especialmente em relação à assistência técnica ou ao monitoramento de processos eleitorais e judiciais.
Os democratas também exigem esclarecimentos sobre a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, uma ação que consideram “uma escalada extraordinária que se afasta da prática normal entre estados amigos”. Por fim, a carta traz dois questionamentos diretos: se o governo americano se comprometerá a respeitar o processo eleitoral brasileiro, “amplamente considerado um dos mais seguros e confiáveis do mundo”, e se reconhecerá o resultado certificado das urnas, mantendo relações diplomáticas padrão com o candidato escolhido pelo eleitorado brasileiro.
A CNN Brasil procurou o Departamento de Estado americano e o Itamaraty quando a carta foi enviada, mas não obteve retorno até o momento.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



