Governo Trump ignora prazo de 31 parlamentares dos EUA sobre suposta interferência no Brasil

Parlamentares dos EUA cobram resposta de Marco Rubio após governo Trump ignorar prazo sobre suposta interferência no Brasil.

02/10/2026 17:52

3 min

Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA

O governo do presidente Donald Trump ignorou o prazo dado por um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos para responder a questionamentos sobre uma suposta interferência nas eleições brasileiras. Os congressistas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, com sete exigências e pedidos de esclarecimento, estipulando o dia 1º de outubro como data limite para a resposta.

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Até agora, o silêncio foi total.

De acordo com o gabinete da deputada democrata Delia Ramirez, do estado de Illinois, não houve qualquer retorno do chefe da diplomacia americana. Um assessor da parlamentar afirmou à CNN Brasil que, “como é de praxe na administração Trump, o prazo não foi cumprido”.

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O gabinete já reiterou a cobrança ao Departamento de Estado e segue monitorando de perto o andamento do processo eleitoral brasileiro.

Parlamentares de oposição lideram cobrança

A lista de signatários inclui nomes de peso da oposição a Trump, como o senador independente Bernie Sanders e a deputada democrata Alexandria Ocasio – Cortez, conhecida como AOC, além de outros 29 deputados democratas. Na carta, eles manifestaram “grave preocupação” com o que chamaram de um esforço coordenado do governo americano para “ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental” às vésperas da eleição presidencial brasileira, marcada para outubro de 2026.

Os parlamentares citaram o tarifaço imposto por Trump ao Brasil e as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como exemplos de uma “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil”. A avaliação do grupo é que as medidas vão além de uma simples divergência diplomática e representam uma ingerência direta no processo político brasileiro.

As sete exigências ao governo americano

No documento, os congressistas elencaram uma série de pedidos formais. Eles querem que o governo Trump forneça a metodologia usada para “revisar e avaliar submissões, petições ou materiais relacionados a potenciais designações de sanções” enviados por cidadãos estrangeiros.

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Também pedem uma “explicação detalhada dos padrões probatórios e jurídicos” que levaram à sanção do ministro do STF Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, classificando a medida como “sem precedentes” por atingir um jurista de uma nação parceira democrática.

Outro ponto de cobrança é a justificativa para a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Os parlamentares destacam que a medida foi tomada “sob objeção do governo Lula e apesar de suas repetidas propostas para expandir a cooperação EUA – Brasil no combate a organizações criminosas transnacionais”.

Além disso, o grupo quer saber como o governo Trump“coordena seus objetivos de democracia e direitos humanos com parceiros regionais” na América Latina, especialmente em relação à assistência técnica ou ao monitoramento de processos eleitorais e judiciais.

Os democratas também exigem esclarecimentos sobre a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, uma ação que consideram “uma escalada extraordinária que se afasta da prática normal entre estados amigos”. Por fim, a carta traz dois questionamentos diretos: se o governo americano se comprometerá a respeitar o processo eleitoral brasileiro, “amplamente considerado um dos mais seguros e confiáveis do mundo”, e se reconhecerá o resultado certificado das urnas, mantendo relações diplomáticas padrão com o candidato escolhido pelo eleitorado brasileiro.

A CNN Brasil procurou o Departamento de Estado americano e o Itamaraty quando a carta foi enviada, mas não obteve retorno até o momento.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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