Governo Lula cobra explicações da Argentina sobre Flávio Bolsonaro, mas evita nova crise com Milei
O Ministério das Relações Exteriores chamou para uma conversa, na quinta-feira 29, a encarregada de negócios da embaixada argentina no Brasil, María Emilia Cortés. O objetivo era pedir esclarecimentos sobre a participação do governo de Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país.
A informação foi antecipada pelo UOL e confirmada pela Carta Capital.
Mesmo com a convocação, o governo Lula (PT) não quer transformar o caso em um novo confronto diplomático com Buenos Aires. Na prática, o encontro foi curto, durou poucos minutos e teve tom protocolar.
Itamaraty pede explicações sem reprimenda formal
Cortés foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pela interlocução com os países da região no Itamaraty. Ele repassou um pedido de informações sobre o papel de autoridades argentinas no deslocamento de Flávio até os Estados Unidos.
Não houve, segundo o relato, qualquer tipo de advertência formal ao governo de Milei.
Convocar representantes diplomáticos para prestar esclarecimentos é uma prática comum entre países. A decisão de manter a reunião breve e sem a presença da cúpula do ministério segue a orientação do Planalto de impedir que o episódio vire uma disputa pública entre os dois governos.
Governo evita nova frente de tensão com Argentina
Dentro do governo brasileiro, a avaliação é que Lula não tem interesse em abrir mais um foco de atrito com a Argentina, sobretudo num momento em que as relações bilaterais já estão abaladas. A ordem é não responder às provocações de Milei e, ao mesmo tempo, não dar a ele nem a Donald Trump um palanque político a partir do caso de Flávio.
O quadro diplomático já estava deteriorado. Brasil e Argentina estão sem embaixadores nos países desde agosto, quando o governo brasileiro decidiu rebaixar a relação entre os dois. Na ocasião, o diplomata Julio Bitelli foi chamado de volta ao Brasil, e o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, retornou a Buenos Aires.
A medida veio em resposta aos ataques recorrentes de Milei a Lula, que chegaram ao auge quando o argentino participou da convenção do PL que confirmou Flávio como candidato à Presidência e dirigiu diversas ofensas ao petista.
Lula quer convidar Milei e Trump para a posse
A intenção de manter os canais diplomáticos abertos deve aparecer também na cerimônia de posse de Lula, marcada para 5 de janeiro de 2027. O presidente pretende convidar todos os chefes de Estado com os quais o Brasil tem relações diplomáticas, o que inclui Milei e Trump.
O norte-americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula e já fez declarações questionando o processo eleitoral brasileiro.
A orientação do Planalto é que as divergências políticas não atrapalhem a relação institucional com os dois países. Em vez de entrar numa escalada de declarações, Lula quer preservar o diálogo com Washington e Buenos Aires, inclusive para que a crise em torno de Flávio não afete outros interesses brasileiros. Lula também deve viajar aos Estados Unidos ainda neste ano para a Cúpula do G20, que será realizada em 14 e 15 de dezembro.
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