Mauro Vieira vai a Atlanta para o G20 sem reunião bilateral prevista com Marco Rubio

O governo brasileiro quer evitar que as divergências com os Estados Unidos contaminem a agenda do País no G20. Mauro Vieira participa da reunião de ministros das Relações Exteriores do grupo em Atlanta, nos Estados Unidos, na sexta-feira (30) e no sábado (31).
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Segundo comunicado do Itamaraty, o Brasil não trabalha, a princípio, com uma reunião bilateral entre Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que conduz o encontro. A pasta disse que o ministro terá conversas bilaterais com outros integrantes do grupo, mas não informou quais autoridades estão na agenda.
Divergências com Washington pesam sobre a agenda
A ausência de uma reunião formal com Rubio acontece em meio a atritos entre os dois governos. A Casa Branca ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais, e Trump voltou a insinuar fraudes no processo eleitoral brasileiro, sem apresentar nenhuma prova.
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O presidente norte-americano também se aproximou de integrantes da família Bolsonaro. Na avaliação do governo, a atuação de integrantes do governo dos Estados Unidos em favor desse grupo ampliou o desconforto diplomático entre os países.
Mesmo assim, o Itamaraty pretende não transformar cada provocação de Washington em crise bilateral. A ideia é preservar a interlocução com os norte-americanos e impedir que a relação fique restrita às divergências entre Trump e Lula.
Atlanta prepara a cúpula de líderes em Miami
A programação brasileira prevê três sessões de trabalho, dedicadas a questões geopolíticas, energia e cadeias de suprimento. O encontro serve de preparação para a Cúpula de Líderes do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.
O Brasil integra o grupo ao lado de outras grandes economias, como Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Índia.
Presidência norte-americana do G20 impõe desafio ao Brasil
Integrantes do governo Lula avaliam que Washington tem demonstrado pouco interesse em avançar nas pautas multilaterais e priorizado acordos bilaterais. Por isso, o Itamaraty acompanha com cautela a condução dos trabalhos pelos Estados Unidos e as possibilidades de avanço nas negociações.
Em 2024, durante a gestão brasileira à frente do G20, Lula lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma das principais iniciativas do País no fórum.
A presença do chanceler argentino, Pablo Quirno, adiciona outro ponto sensível à agenda. As relações entre Brasil e Argentina estão desgastadas após declarações de Javier Milei contra Lula e o recolhimento dos embaixadores dos dois países em agosto.
Editoria:
Redação Internacional
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