Governo anuncia defesa de setores atingidos pelas tarifas dos EUA

Governo intensifica defesa setorial contra tarifas impostas pelos EUA, buscando mitigar impactos no comércio nacional.

3 min

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty | Foto: Reprodução

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) um reforço nas medidas destinadas a proteger setores industriais nacionais após o anúncio dos Estados Unidos sobre novas tarifas contra produtos brasileiros.

Em coletiva realizada por ministros e secretários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi defendido que as “sobretaxas” impostas pela administração americana são injustificáveis. As autoridades reafirmaram ainda os planos de recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Plano de defesa nacional: apoio setorial

O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, detalhou o suporte disponível ao setor produtivo em um discurso durante a coletiva.

Ele garantiu que já existem instrumentos prontos no governo federal capazes de diminuir drasticamente qualquer impacto sobre empregos ou empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas. “Já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos”, afirmou ele.

Segundo Durigan, será necessário chamar novamente à conversa todos os setores atingidos para fortalecer ainda mais programas existentes como é o Programa Brasil Soberano. Ele ressaltou também que as linhas de apoio financeiro já foram testadas com sucesso.

Setores vulneráveis e diálogo diplomático

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, classificou as tarifas americanas como “injustas”. Segundo Rosa, a prioridade do governo deve ser proteger os segmentos econômicos considerados em risco.

O secretário apontou setores específicos onde cerca de 2,4 mil empresas exportadoras podem sofrer o impacto das novas taxas. Entre os mais afetados estão madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar.

Leia também

“A participação dos Estados Unidos na nossa balança comercial diminuiu significativamente nas últimas décadas,” complementou Rosa ao público presente no MDIC. Ele citou que essa dependência caiu do patamar inicial de 12,4% para apenas 9,4%, mostrando a resiliência da economia brasileira em outros mercados.

Diálogos mantidos com Washington

Em nota divulgada após o evento oficial, foi confirmado ainda um esforço diplomático contínuo por parte das autoridades brasileiras. O governo afirmou ter mantido diálogo permanente com as autoridades americanas desde o início do processo.

“Realizamos mais de 30 reuniões entre as partes até agora,” detalhou uma fonte do MDIC sobre os encontros que ocorreram somente no período compreendido entre julho de 2025 e a data da coletiva.

Apesar dos esforços em negociação direta — conforme apontado pelo Ministério —, Brasília sustentou publicamente não haver qualquer justificativa para medidas unilaterais impostas contra produtos brasileiros, reforçando sua posição perante parceiros comerciais internacionais como na OMC.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.