Geriatra alerta para risco cardiovascular em idosos com a chegada do inverno

Milton Santos, professor da Afya Porto Alegre, explica que o frio aumenta casos de infarto e AVC e recomenda cuidados com agasalho, hidratação e ventilação.

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Idoso-com-frio-1024×683-1 | Foto: Reprodução

Quando o inverno chega ao Brasil, a atenção das famílias costuma se concentrar nas doenças respiratórias que afetam os idosos, como gripes e pneumonias. No entanto, segundo especialistas em geriatria, a estação também esconde riscos mais silenciosos para a saúde da população idosa.

O geriatra Milton Santos, professor da Afya Porto Alegre, alerta que as consequências do frio intenso vão além dos problemas pulmonares. Ele explica que há impacto no sistema circulatório, com aumento dos casos de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC), além do agravamento de dores crônicas pela redução da mobilidade.

Circulação e movimento

O médico detalha como a baixa temperatura afeta os vasos sanguíneos: “o frio provoca uma diminuição natural no calibre desses vasos”, adverte. Essa constrição faz com que menos sangue chegue às articulações e às extremidades do corpo. O resultado é mais sensibilidade e dificuldade para se movimentar nos dias frios.

Para proteger o sistema cardiovascular, a recomendação é monitorar com frequência a pressão arterial do idoso e garantir agasalhos suficientes para evitar choques térmicos, que sobrecarregam ainda mais o mecanismo de vasoconstrição responsável por manter os órgãos vitais aquecidos.

Os cuidados não devem se limitar ao vestuário ou à medicação. Manter pequenos movimentos ao longo do dia ajuda a combater as dores que o frio causa nas articulações, e é preciso incentivar essa atividade mesmo quando a vontade é ficar parado em casa.

Hidratação: um risco silencioso

A desidratação também é um perigo para o idoso no frio. Com menos sensação de sede — algo comum nos dias mais frescos —, o volume de sangue circulante diminui e sobrecarrega os órgãos.

“Para combater isso sem depender apenas da água pura, as famílias devem investir no consumo de líquidos quentes ou saborizados diariamente. Chás variados, sopas nutritivas e caldos são ótimos aliados que cumprem uma função dupla ao hidratar profundamente enquanto aquecem naturalmente”, orienta o geriatra.

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Ventilação correta em casa

“Embora seja um hábito proteger o lar fechando todas as portas e janelas contra as baixas bruscas de temperatura, essa prática pode facilitar a proliferação de vírus dentro de casa. É crucial manter os ambientes aquecidos, mas nunca totalmente fechados”, diz o médico. Ele lembra que alguma ventilação é essencial para prevenir gripes e pneumonias e que a higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel deve fazer parte da rotina.

Combate ao isolamento social

“O cuidado no inverno não envolve apenas o corpo físico: ele exige atenção à saúde emocional também. Com dias mais curtos e menos luz solar, muitos idosos tendem a se retrair do convívio familiar por desânimo”, afirma.

Segundo o geriatra, esse afastamento pode criar um ciclo perigoso, em que a solidão piora até a percepção das dores articulares. Estimular atividades sociais em casa ou fazer chamadas de vídeo com a família são formas de acolhimento contra o isolamento: “o remédio para esta condição está no afeto e nas conversas diárias”.

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