Cerca de 260 atos contra a alta do custo de vida param escolas e transporte na França

Sindicatos alertam para risco de recessão e demissões em massa, enquanto a polícia usa gás lacrimogêneo em Paris e a Torre Eiffel fecha as portas.

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Vista de cima da multidão diante de uma forte presença policial durante a manifestação no Pitié-Salpêtrière, em 22 de outubro de 2026, em Paris, França | Foto: AFP

A França enfrenta na quinta-feira (5) mais um dia de paralisações e protestos contra o aumento do custo de vida. A mobilização já se estende por quase dois meses. Convocados por diferentes sindicatos, os atos chegam a grandes cidades como Paris, Lyon e Marselha e interrompem o funcionamento de escolas e de serviços de transporte público.

A Torre Eiffel, um dos principais cartões-postais do país, também foi fechada. As entidades sindicais anunciaram aproximadamente 260 atos em todo o território francês, com a presença de trabalhadores e estudantes.

Preços, salários e cortes de gastos alimentam a revolta

Os protestos acontecem em meio à insatisfação com os preços de produtos essenciais, com os salários e com a possibilidade de cortes nos gastos públicos. Em comunicado conjunto, os sindicatos afirmaram que há risco de recessão e apontaram o avanço de planos de demissão anunciados por empresas.

“Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade… Tudo está subindo, exceto salários e aposentadorias. A raiva é imensa. A situação neste país é frágil. Os desafios sociais e ambientais urgentes devem ser enfrentados sem demora”, afirmaram as entidades.

Escolas fechadas e tensão nas ruas

Centenas de escolas secundárias ficaram fechadas ou sem condições de receber alunos. Parte das paralisações decorreu da adesão de professores ao movimento, enquanto outras unidades tiveram os acessos bloqueados por manifestantes. O transporte coletivo também sofreu restrições fortes ao longo do dia.

Em Paris, a polícia agiu para impedir bloqueios em estabelecimentos de ensino e lançou gás lacrimogêneo contra grupos de jovens. Já em Rennes, na Bretanha, as autoridades registraram tentativas de bloquear estradas e episódios de violência com participação de pessoas mascaradas.

De acordo com os órgãos locais, houve casos em que manifestantes arremessaram bolas de aço contra agentes de segurança.

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Governo destaca 70 mil policiais para acompanhar os atos

Diante do tamanho da mobilização, o governo colocou em campo 70 mil policiais, apoiados por veículos blindados, helicópteros e drones. O plano foi anunciado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, e tem como objetivo acompanhar as manifestações e responder a eventuais confrontos.

Mesmo com a presença policial, estudantes dizem que pretendem seguir na rua. “Seguimos com o movimento porque não nos escutam. Estamos aqui para tentar mudar as coisas”, disse à agência AFP Luce, de 15 anos, durante um protesto em Estrasburgo.

Onda de atos começou em setembro e ganhou outros países

A sequência teve início em meados de setembro, com protestos organizados por estudantes do ensino médio. Depois, as reivindicações passaram a contar com sindicatos e outros setores da sociedade francesa.

Movimentos semelhantes também foram registrados na Espanha, na Itália, na Bélgica e na Albânia. Ao longo de outubro, alguns atos terminaram em confrontos, depredações e saques. Em certas jornadas, o número de participantes chegou a quase 1,3 milhão, conforme as autoridades francesas.

Para a quinta-feira (5), as estimativas apontavam entre 500 mil e 700 mil manifestantes fora de Paris, além de dezenas de milhares na capital.

Sindicatos cobram reajustes e criticam ajuste fiscal

As entidades defendem reajuste do salário mínimo, aumentos salariais mais amplos, mudanças na política tributária e a manutenção dos serviços públicos. As críticas também atingem as medidas de ajuste fiscal previstas pelo governo para o orçamento de 2027.

A insatisfação cresce nos meses finais do mandato do presidente Emmanuel Macron, cuja saída do cargo está prevista para maio. Com combustíveis, alimentos e energia mais caros e restrições orçamentárias no horizonte, o poder de compra segue no centro dos protestos.

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