Flávio Bolsonaro diz não ter provas e que nem ele nem Lula podem se dizer eleitos com certeza
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que nem ele nem Lula (PT) podem dizer com 100% de certeza quem foi eleito presidente do Brasil. A declaração foi dada à Folha de S. Paulo, em entrevista publicada na sexta-feira (6).
Questionado se se considera o verdadeiro presidente eleito, o senador disse ter “todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar” do que ocorreu durante a extensão do período eleitoral. A votação foi prorrogada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, referendada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques.
Senador cita a extensão da votação e diz não ter garantias
A prorrogação foi de duas horas. Flávio disse que não possui “garantia” de que não foi eleito no primeiro turno, mas não apresentou novas provas para sustentar essa avaliação.
Ao comentar o caso, ele afirmou: “Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei. Isso não é permitido. Se fosse a chapa do Flávio Bolsonaro, estava cassada”.
O senador também questionou o que explicaria o aumento de votos de Lula em um intervalo de 21 dias. Para ele, nem mesmo a compra de votos explicaria a votação expressiva no segundo turno.
Plano de fuga aos EUA e sustento no exterior
Flávio se recusou a comentar o plano de fuga que o levou aos Estados Unidos. Ele disse, porém, que ainda avalia com a família se pretende morar no país ou retornar ao Brasil.
Sobre como se mantém nos Estados Unidos, afirmou que usa reservas financeiras acumuladas nos últimos 20 anos como parlamentar.
Tarcísio e a disputa presidencial de 2030
Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já admitiu interesse em disputar a Presidência em 2030, Flávio disse que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”. Ele reiterou que, se o partido permitir, também pretende disputar a eleição presidencial seguinte.
Flávio ressalvou, no entanto, que, caso seu pai, Jair Bolsonaro, recupere os direitos políticos, será ele o nome da família a encabeçar a disputa.
Processos no STF e pedidos de impeachment de Moraes
Sobre os processos que envolvem seu nome no Supremo, Flávio afirmou já saber “qual vai ser o final muito antes de começar”. Ele citou o pai e o irmão, Eduardo Bolsonaro, e disse não haver motivo para acreditar que sua situação seria diferente. Na mesma fala, afirmou que o STF está comprometido, que o TSE é dominado pelo governo e que a Polícia Federal e o Ministério Público são aparelhados.
Questionado pela Folha se apoia o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, ele respondeu que sim. Citou como requisito descumprido pelo magistrado o de julgar ou participar de processos quando deveria ter se declarado impedido ou suspeito.
Ele afirmou haver mais de cem pedidos de impeachment contra o ministro, por atuação político-partidária, e atribuiu a falta de andamento ao presidente do Senado, que, segundo ele, se recusa a pautar o tema.
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