Flávio Bolsonaro diz não ter provas e que nem ele nem Lula podem se dizer eleitos com certeza

Em entrevista à Folha, o senador do PL-RJ disse ter “indícios para desconfiar” da prorrogação de duas horas da votação, decidida por Zanin.

3 min

Flávio Bolsonaro, senador brasileiro que perdeu a eleição presidencial do mês passado, em entrevista ao The New York Times, na Flórida – 04/11/2026 | Foto: Scott McIntyre/The New York Times

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que nem ele nem Lula (PT) podem dizer com 100% de certeza quem foi eleito presidente do Brasil. A declaração foi dada à Folha de S. Paulo, em entrevista publicada na sexta-feira (6).

Questionado se se considera o verdadeiro presidente eleito, o senador disse ter “todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar” do que ocorreu durante a extensão do período eleitoral. A votação foi prorrogada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, referendada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques.

Senador cita a extensão da votação e diz não ter garantias

A prorrogação foi de duas horas. Flávio disse que não possui “garantia” de que não foi eleito no primeiro turno, mas não apresentou novas provas para sustentar essa avaliação.

Ao comentar o caso, ele afirmou: “Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei. Isso não é permitido. Se fosse a chapa do Flávio Bolsonaro, estava cassada”.

O senador também questionou o que explicaria o aumento de votos de Lula em um intervalo de 21 dias. Para ele, nem mesmo a compra de votos explicaria a votação expressiva no segundo turno.

Plano de fuga aos EUA e sustento no exterior

Flávio se recusou a comentar o plano de fuga que o levou aos Estados Unidos. Ele disse, porém, que ainda avalia com a família se pretende morar no país ou retornar ao Brasil.

Sobre como se mantém nos Estados Unidos, afirmou que usa reservas financeiras acumuladas nos últimos 20 anos como parlamentar.

Leia também

Tarcísio e a disputa presidencial de 2030

Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já admitiu interesse em disputar a Presidência em 2030, Flávio disse que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”. Ele reiterou que, se o partido permitir, também pretende disputar a eleição presidencial seguinte.

Flávio ressalvou, no entanto, que, caso seu pai, Jair Bolsonaro, recupere os direitos políticos, será ele o nome da família a encabeçar a disputa.

Processos no STF e pedidos de impeachment de Moraes

Sobre os processos que envolvem seu nome no Supremo, Flávio afirmou já saber “qual vai ser o final muito antes de começar”. Ele citou o pai e o irmão, Eduardo Bolsonaro, e disse não haver motivo para acreditar que sua situação seria diferente. Na mesma fala, afirmou que o STF está comprometido, que o TSE é dominado pelo governo e que a Polícia Federal e o Ministério Público são aparelhados.

Questionado pela Folha se apoia o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, ele respondeu que sim. Citou como requisito descumprido pelo magistrado o de julgar ou participar de processos quando deveria ter se declarado impedido ou suspeito.

Ele afirmou haver mais de cem pedidos de impeachment contra o ministro, por atuação político-partidária, e atribuiu a falta de andamento ao presidente do Senado, que, segundo ele, se recusa a pautar o tema.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.