Cidadania italiana dos irmãos Bolsonaro saiu em 58 dias, e Bonelli quer que a Justiça investigue

Os irmãos Bolsonaro levaram 58 dias entre a apresentação dos documentos na Embaixada da Itália em Brasília e o reconhecimento da cidadania italiana. A confirmação partiu da subsecretária Matilde Siracusano, representante do governo de Giorgia Meloni no Parlamento, durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados da Itália, no dia 06/11.
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A declaração veio em resposta a uma interpelação do deputado Angelo Bonelli, do partido de esquerda Europa Verde, que quis saber se os irmãos tinham recebido prioridade no reconhecimento. Os 58 dias foram contabilizados a partir da convocação para avaliação do processo.
Datas de entrada na fila e convocação conjunta
Segundo Siracusano, Eduardo Bolsonaro se inscreveu na lista de espera da Embaixada italiana em Brasília em 22 de dezembro de 2020. Carlos e Flávio Bolsonaro entraram na fila meses depois, em 26 de outubro de 2021.
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Os três foram chamados juntos para apresentar a documentação em 8 de novembro de 2022. A representante do governo afirmou que é comum convocar ao mesmo tempo pessoas que entraram na fila em datas diferentes quando todas descendem do mesmo antepassado.
Eduardo esperou um ano e 10 meses pela convocação. Flávio e Carlos aguardaram cerca de um ano. As cidadanias foram reconhecidas em 5 de janeiro de 2023.
O intervalo é bem menor que o de muitos descendentes de italianos no Brasil. No consulado em São Paulo, a fila chegou a passar de dez anos. Especialistas lembram, porém, que o tempo de espera variava de uma unidade consular para outra.
Governo não respondeu sobre tamanho da fila
O governo italiano não respondeu às perguntas de Bonelli sobre o tamanho da fila em Brasília na época do pedido. Também não esclareceu se os irmãos passaram à frente de outros requerentes.
Para o deputado, porém, os dados já apontam para uma prioridade. Bonelli promete levar o caso às autoridades judiciais, e lembrou a proximidade da família com o partido italiano de extrema direita Liga, integrante da coalizão de governo e liderado por Matteo Salvini.
“É uma questão relacionada à preservação e à proteção dos procedimentos relativos aos italianos no exterior que não puderam receber esse tratamento”, afirmou o deputado.
Bonelli também sugeriu que Eduardo e Flávio estariam usando os passaportes italianos como forma de fuga. Eduardo tem uma condenação no Brasil, e Flávio responde a processos em andamento.
Governo diz que processos não mudam direito à cidadania
Siracusano respondeu que a existência de processos na Justiça não altera o direito à cidadania. Segundo ela, nenhuma pendência judicial constava na Embaixada no momento da emissão dos passaportes.
“Convém lembrar que o reconhecimento da cidadania italiana jure sanguinis não prevê uma avaliação discricionária por parte da administração: cabe ao responsável pelo processo apenas verificar se o requerente cumpre os requisitos estabelecidos pela legislação vigente”, afirmou.
Os irmãos obtiveram a cidadania com base na descendência de um trisavô, originário do Vêneto, que emigrou para o Brasil. Em 2025, um decreto-lei do governo, depois convertido em lei, restringiu o reconhecimento da cidadania por descendência para pessoas nascidas no exterior.
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Redação Internacional
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