Mesmo apoiando a reforma tributária, Fenabrave quer adiar a vigência por dúvidas ainda sem resposta

Concessionárias, que somam 388 mil empregos diretos em 952 municípios, temem desencaixe no fluxo de caixa com a virada de 1º de janeiro, segundo Arcelio Junior.

3 min

Pátio de montadora de veículos, em Taubaté (SP) | Foto: Reuters

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) apoia a reforma tributária, mas pediu o adiamento da sua implementação, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de janeiro. Em entrevista ao CNN Money, o presidente da federação, Arcelio Junior, afirmou que ainda há muitas dúvidas sobre pontos fundamentais da mudança e que o setor precisa de mais tempo para se adaptar.

Na prática, a entidade quer ganhar tempo para que as dúvidas sejam resolvidas antes de as regras começarem a valer. Arcelio Junior disse que a Fenabrave apoia a reforma por inteiro e reconhece a importância dela para o país.

Fluxo de caixa das concessionárias preocupa o setor

“A Fenabrave apoia totalmente a reforma tributária, acredita que ela é muito importante para o país”, disse Arcelio Junior. Ele, porém, observou que a dimensão da mudança, descrita por ele como a maior reforma tributária da história do Brasil, deixou pontos sem esclarecimento por parte do governo federal e da Receita Federal.

Entre as maiores preocupações, o presidente da federação apontou o efeito da transição sobre o caixa das concessionárias. Pelo que ele explicou, a regulamentação atual faz com que, no fim do ano, as empresas tenham de encerrar o balanço e lançar certos impostos em parcelas de doze avos, o que provocaria uma saída de dinheiro bastante relevante. “Nós teremos um desencaixe no fluxo de caixa das empresas que é muito significativo e nos preocupa”, afirmou.

Segundo ele, o problema não fica restrito às concessionárias e atinge diversos outros segmentos da economia.

Pequenas empresas e a rede de concessionárias

Arcelio Junior também chamou a atenção para os efeitos sobre as micro e pequenas empresas que fazem parte da cadeia automotiva. Ele lembrou que as concessionárias respondem por 388 mil empregos diretos no país, estão presentes em 952 municípios e somam 8.625 unidades em operação.

“Existem regiões diferentes, necessidades diferentes num país continental como o nosso”, ponderou o presidente, ao comentar que muitos parceiros menores têm encontrado dificuldade para cumprir as novas exigências.

Leia também

Federação pede adiamento sem cancelar a reforma

Diante desse quadro, a Fenabrave abriu conversas com o governo federal para pedir formalmente que a implementação seja adiada. “O que nós estamos solicitando ao governo e nós acreditamos que é importante para o país é um adiamento da reforma tributária por algum período, até que todas essas dúvidas sejam sanadas”, explicou Arcelio Junior.

Ele fez questão de separar esse pedido de qualquer intenção de cancelar a reforma.

Vendas de veículos devem chegar a 3,1 milhões em 2026

A entrevista também tratou do desempenho do mercado automotivo. A Fenabrave elevou a projeção de crescimento das vendas de veículos em 2026 de 7,9% para 15,3%. Se a expectativa se confirmar, o setor deve emplacar 3,1 milhões de veículos no ano, o maior volume em 12 anos.

Em outubro, as vendas de veículos zero quilômetro somaram 265.600 unidades, com alta de quase 2% na comparação anual. No acumulado do ano, foram vendidas 2,52 milhões de unidades, crescimento de 16,1%.

Segundo Arcelio Junior, esse avanço se apoia em três fatores: o programa Move Brasil, o programa do carro sustentável, que reduziu alíquotas para veículos com menor emissão de poluentes, e a chegada de novos fabricantes, que pressionou os preços para baixo e trouxe condições de financiamento mais acessíveis.

Já os usados tiveram leve queda de cerca de 4% no acumulado do ano, em parte por causa da redução nos preços dos zero quilômetro.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.