Quarto mandato de Lula: escolha da Fazenda expõe racha do PT sobre juros e contas públicas

Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin e Camilo Santana são citados como opções, e a escolha pode sinalizar preferências para 2030.

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Em alta: Camilo, Lula e Fonteles: governadores do Nordeste reforçaram a campanha em momento crítico | Foto: Reprodução/Veja

A disputa sobre juros e o equilíbrio das contas públicas reacendeu divergências dentro do PT enquanto o governo define a equipe econômica do quarto mandato de Lula.

Para o editor José Benedito da Silva, é na escolha do novo titular da Fazenda que se cruzam o embate sobre os rumos da economia e a discussão sobre a sucessão presidencial de 2030. “É hoje uma das disputas, uma das guerras internas mais acirradas que se trava”, afirmou ele no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall Agnol, na quarta-feira (4). Para o jornalista, o conflito repete pressões que já apareceram no início do terceiro mandato e deve seguir aceso até que se saiba quem comandará a política econômica.

Por que a discussão sobre juros volta sempre à pauta?

José Benedito lembrou que Roberto Campos Neto também enfrentou ataques de setores da esquerda enquanto esteve à frente do Banco Central. Na visão do editor, parte dessas críticas ligava a manutenção dos juros altos à proximidade dele com Jair Bolsonaro e a interesses do mercado.

A chegada de Gabriel Galípolo, no entanto, não pôs fim à polêmica. Houve, no começo, uma fase de aproximação, mas as cobranças voltaram quando a queda dos juros não avançou no ritmo esperado. “Não é possível baixar juros na marra”, disse o jornalista ao comentar o caso.

Ele também relembrou que Fernando Haddad encontrou resistência dentro do próprio partido ao comandar a Fazenda, sobretudo em temas como ajuste fiscal e contenção de gastos.

Quem aparece como opção para a Fazenda

Entre os nomes citados para assumir a pasta estão Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin. O editor fez a ressalva de que a escolha ainda não estava definida no momento da gravação.

Camilo Santana também foi lembrado nas alternativas discutidas, junto com os efeitos políticos que cada decisão poderia provocar.

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Na avaliação de José Benedito, o posto tem peso suficiente para influenciar a disputa pela sucessão de Lula. Quem for escolhido pode sinalizar preferências para 2030, e por isso a nomeação deve virar alvo de negociação e de disputa interna no governo e no PT.

Tese de André Lara Resende alimenta a pressão

José Benedito também comentou a posição atribuída ao economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Segundo a tese, os juros seriam o principal responsável pelo peso da dívida pública, e não os gastos do governo.

De acordo com o editor, essa leitura ganhou simpatia entre petistas críticos da política monetária. O jornalista, por outro lado, questionou se a tese tem comprovação prática e avaliou que aderir a ela pode trazer riscos.

Na análise de José Benedito, o debate deve manter a pressão por mudanças na condução econômica até que Lula defina os responsáveis pela área. Enquanto isso, setores do partido devem seguir cobrando juros mais baixos e uma reorientação da política econômica.

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