EUA e Índia discutem sanções a países que negociam com Rússia e Irã

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler indiano, S. Jaishankar, trataram de sanções a países que mantêm laços econômicos com a Rússia e o Irã durante reunião em Nova York nesta quarta – feira (23). O encontro ocorreu dias depois de o presidente Donald Trump sancionar um projeto de lei que prevê tarifas pesadas contra os maiores compradores de petróleo russo — lista da qual a Índia faz parte.
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Jaishankar aproveitou o diálogo para expressar as preocupações de Nova Délhi com a nova legislação. Em publicação no X, ele disse que “reiterou os interesses e as preocupações da Índia em relação ao SRIA”, sigla em inglês para o projeto batizado em homenagem ao falecido senador republicano Lindsey O.
Graham.
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O peso do petróleo russo na relação bilateral
O projeto “Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026”, aprovado pelo Congresso americano, autoriza tarifas de até 100% sobre mercadorias importadas pelos EUA dos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás russos. A medida vale também para países que, conscientemente, fizerem novas aquisições do insumo 30 dias após a promulgação da lei ou que estejam entre os que mais ajudam a Rússia a driblar sanções.
A Índia está nesse grupo. Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, o país asiático ampliou de forma expressiva as compras de petróleo bruto russo com descontos. O movimento já havia provocado reação de Trump antes: em agosto de 2025, ele impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos, entre as mais altas aplicadas a qualquer nação.
Em fevereiro, o republicano retirou as sobretaxas depois que a Índia se comprometeu a interromper as compras de petróleo da Rússia. Na prática, porém, Nova Délhi reduziu as aquisições apenas brevemente no início de 2026. Desde então, os volumes voltaram a subir, especialmente após o choque no fornecimento provocado pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
Defesa indiana e riscos para o abastecimento
O governo indiano justifica a retomada das compras com argumentos práticos: a população numerosa e a economia em crescimento exigem fontes de energia a preços acessíveis. Analistas do país reforçam que as aquisições de petróleo russo não financiam a guerra na Ucrânia, mas contribuem para estabilizar o abastecimento global e manter os preços domésticos sob controle.
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O Departamento de Estado americano, por sua vez, informou em comunicado que Rubio e Jaishankar “discutiram sanções que poderiam ser impostas a países que mantenham relações econômicas com a Rússia e o Irã”. O tom do encontro indica que o tema seguirá pressionando a relação entre as duas maiores democracias do mundo.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



