Estados Unidos aplicam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho

Medida da Seção 301 deve deixar o Brasil como o segundo país mais tarifado pelos EUA; Amcham estima mais de US$ 11 bilhões em exportações afetadas.

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Imagem de drone mostra o Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025 | Foto: Reprodução

A partir de 22 de julho, os produtos brasileiros passam a pagar uma tarifa adicional de 25% nos Estados Unidos, anunciada pelo USTR em 15 de julho com base na Seção 301. Essa medida colocará o Brasil como o segundo país mais tarifado pelos norte-americanos, atrás apenas da China. Segundo dados do Global Trade Alert (GTA), a tarifa média efetiva aplicada aos produtos brasileiros deve subir para 18,2% com a implementação dessas novas sobretaxas.

Atualmente, a China lidera o ranking, com uma tarifa média de 27%. O GTA considera que, temporariamente, as novas tarifas vão se somar às da Seção 122, uma sobretaxa adicional. Contudo, essa combinação será válida apenas até 25 de julho, data em que expira a vigência da Seção 122.

A sobretaxa da Seção 122 foi anunciada no fim de fevereiro e, pela legislação americana, só pode vigorar por até 150 dias.

Impactos sobre o comércio brasileiro

A decisão de impor as novas tarifas foi justificada pelos EUA com alegações de que algumas políticas brasileiras prejudicam o comércio americano. Apesar das manifestações contrárias ao aumento, incluindo uma audiência pública realizada em Washington nos dias 6 e 7 de julho, a adoção da medida se concretizou.

Com essa nova tarifa, entidades do setor industrial alertam para consequências severas na competitividade das empresas brasileiras. A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio podem ser afetados.

Esse valor representa cerca de 26% do total exportado pelo Brasil para os Estados Unidos.

Em nota, a entidade destacou que “esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil, que alcançou US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025”. Além disso, ressaltou que as tarifas aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos são bem inferiores.

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Previsões econômicas e reações do setor

Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, apontou que um relatório do Goldman Sachs projeta uma tarifa efetiva ainda menor — de 16,8%. A medida pode reduzir o fluxo comercial em cerca de US$ 1 bilhão e ter um impacto negativo de aproximadamente 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Várias entidades também expressaram suas preocupações. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) indicou que houve uma queda nas exportações para os Estados Unidos em 20 dos 27 estados brasileiros no primeiro trimestre de 2026. Isso tende a se agravar com a nova tarifa.

Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou: “Isso corrói ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica.”

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) também manifestou apreensão quanto aos efeitos das novas tarifas. De acordo com a entidade, essas medidas aumentam a insegurança no comércio internacional e reduzem a competitividade das empresas brasileiras.

Isso resulta em impactos sobre investimentos, produção e emprego no setor.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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