Elefantes africanos chamam companheiros por “nomes” próprios, mostra estudo no Quênia
Elefantes africanos usam sons específicos para chamar companheiros determinados da manada, de maneira parecida com os nomes próprios humanos. A descoberta foi feita por pesquisadores que estudaram os animais em campo, na reserva de Samburu e no Parque Nacional Amboseli, no Quênia.
Os elefantes africanos (Loxodonta africana) emitem roncos, chamados de rumbles, em frequências muito baixas. Esses sons graves percorrem quilômetros pelo solo e pelo ar e ajudam a manter o grupo unido em grandes áreas de savana.
Como os roncos funcionam como chamados individuais
Durante anos, os cientistas acreditaram que os roncos serviam como um sinal geral para a manada inteira. Os estudos mostraram outra coisa: alguns desses roncos trazem assinaturas acústicas sutis e exclusivas de cada indivíduo.
Quando um elefante emite um chamado desse tipo, ele se dirige a um membro específico do grupo, seja um parente ou um filhote. O destinatário responde logo em seguida. Os outros animais ignoram o som, porque entendem que a mensagem não é para eles.
Como a ciência decodificou os “nomes” dos elefantes
A pesquisa exigiu observação de longo prazo e uma combinação de métodos. Os cientistas gravaram milhares de horas de vocalizações ligadas a situações sociais, como aproximações, reuniões familiares e cuidado com filhotes.
Em seguida, fizeram testes de reprodução sonora. Com alto-falantes escondidos, reproduziram chamados direcionados a elefantes específicos e observaram as reações. O animal correspondente respondia de forma ativa ao ouvir a própria assinatura acústica.
Por fim, algoritmos de aprendizado de máquina analisaram as frequências dos sons. Eles confirmaram que a estrutura do som mudava conforme o destinatário pretendido, independentemente de quem estivesse emitindo a vocalização.
Por que nomear indivíduos ajuda sociedades complexas
A capacidade de dar nomes a indivíduos é rara no reino animal. Até agora, ela estava associada principalmente a espécies de estruturas sociais complexas e vida longa, como os humanos, os golfinhos-roazes e os papagaios.
Os elefantes vivem em sociedades matriarcais de fissão-fusão, em que os grupos se separam e se reencontram com frequência, muitas vezes a grandes distâncias. Nesse contexto, a comunicação nominal permite coordenar movimentos de manadas dispersas, chamar filhotes desatentos à distância e reforçar vínculos afetivos duradouros.
Tudo isso é importante para a sobrevivência diante de predadores e secas severas.
Para a ciência, o achado amplia a discussão sobre a linguagem. Ele mostra que animais não humanos também usam rótulos vocais arbitrários equivalentes a nomes próprios, o que sugere que a linguagem abstrata não é exclusiva da espécie humana.
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Redação Variedades
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