Mesmo após 25 anos de tentativas, cadeado de naufrágio de 1583 revela senha de quatro letras

Um cadeado de aproximadamente 400 anos, achado entre objetos de um navio naufragado no País de Gales, no Reino Unido, teve o código finalmente decifrado após décadas de tentativas frustradas.
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Pesquisadores recorreram a um sistema de escaneamento para descobrir a combinação de quatro letras que manteve a peça trancada desde o século XVI. Segundo a BBC, o objeto de latão foi localizado em 1999 por Peter Hughes, de 69 anos, que vasculhava a areia com detector de metais na praia de Morfa, perto de Margam, na cidade de Port Talbot.
A peça faz parte de um conjunto de itens ligados ao Ann Francis. A embarcação afundou em 28 de dezembro de 1583, depois de ser atingida por uma tempestade no caminho de volta da Espanha.
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Como os cientistas chegaram à combinação correta
O cadeado tem quatro anéis giratórios, e cada um traz seis letras. Na prática, isso gera 1.296 combinações, o que torna quase impossível acertar a sequência por tentativa e erro.
Para observar o mecanismo por dentro, a equipe usou uma microtomografia computadorizada. A técnica é parecida com a dos exames médicos, mas foi desenvolvida para analisar objetos pequenos.
David Williams, pesquisador da Escola de Engenharia da Universidade de Cardiff, contou à BBC que, no início, duvidava que fosse possível identificar o código. A primeira varredura revelou apenas algumas letras, e a segunda não trouxe resultado útil. Só na terceira análise, com outra abordagem, o grupo chegou à sequência ANCE. O interior do cadeado ainda mostrou uma estrutura parecida com uma chave.
Segundo Alastair Willis, curador-chefe do Amgueddfa Cymru, a tarefa era mais difícil porque havia letras extras nas extremidades. Elas não giram nem fazem parte da senha, mas podiam induzir ao erro quem tentasse descobrir o código.
O que o cadeado trancava
O objeto apareceu perto de moedas espanholas de prata e de dois pesos usados para pesar moedas. Por isso, os especialistas acreditam que ele protegia esses itens ou fechava um pequeno baú com objetos de valor.
Documentos e tecidos estão entre as possibilidades, materiais que podem não ter resistido aos séculos expostos ao ambiente. Ainda assim, não foi possível determinar o que o cadeado guardava originalmente.
Siân Iles, curadora-chefe do Amgueddfa Cymru, afirmou que o tamanho reduzido indica uso em uma caixa ou baú pequeno. Ela também destacou o estado de conservação da peça. Ao contrário de outros cadeados antigos, que costumam aparecer corroídos ou quebrados, este ainda funciona.
Como a peça foi parar na praia
Hughes encontrou o cadeado em uma de suas buscas com detector de metais na costa galesa. Segundo o colecionador, tudo começou com uma moeda que ele localizou na areia durante um dia de folga.
A partir daí, ele passou cerca de 21 anos tentando abrir o cadeado, girando os anéis e testando combinações sem sucesso. Em 2017, ele doou sua coleção de objetos históricos ao museu Amgueddfa Cymru. As peças foram expostas no Swansea Waterfront Museum em julho, com o cadeado em destaque.
Ao saber que o código tinha sido decifrado, Hughes comparou a história a um mistério do livro “O Código Da Vinci”. “Para mim, é como abrir a Arca da Aliança. Estou encantado, realmente emocionado”, declarou ao jornal britânico.
O que a descoberta diz sobre o naufrágio de 1583
A proximidade do cadeado com os outros objetos ligados ao Ann Francis ajudou os especialistas a confirmar sua origem e idade. A embarcação foi atingida por uma tempestade quando voltava da Espanha, no fim do século XVI.
Parte da carga ficou soterrada sob a areia por séculos, até que peças começaram a aparecer na região. Para os pesquisadores, o cadeado mostra como funcionavam os sistemas de segurança da época, e seu bom estado permite observar um mecanismo que opera de forma semelhante a de quatro séculos atrás.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



