Mesmo sem serem farejadores profissionais, cães comuns acertam 75% na busca por plantas invasoras

Estudo do Centro Helmholtz, na Alemanha, treinou 31 cães com seus tutores para achar três espécies invasoras, e 11 das 12 equipes finalistas passaram na prova.

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Pessoa agachada em campo gramado, usando gorro vermelho, jaqueta colorida e mochila, interagindo com um cachorro preto de coleira amarela e refletiva, que está entre suas pernas | Foto: Reprodução/Superinteressante
Pessoa agachada em campo gramado, usando gorro vermelho, jaqueta...
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Cães comuns, treinados com os próprios tutores, conseguem farejar plantas exóticas invasoras com taxa de 75% de precisão. A conclusão é de um estudo do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha, publicado no dia 4 de novembro no periódico científico PLOS One.

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Espécies exóticas invasoras, as EEI, são plantas, animais, fungos ou outros seres vivos que se instalam e se multiplicam longe de seu habitat natural. Quando passam a competir com as espécies nativas, podem ameaçar a biodiversidade local. O problema é global e figura entre as principais causas de perda de biodiversidade no mundo.

No Brasil, a mangueira, a goiabeira e o capim-gordura estão entre os exemplos citados. Países de diferentes regiões tentam conter essas espécies, mas as ações costumam ser caras e lentas. Identificar as invasoras logo no início e impedir que se espalhem continua sendo um desafio.

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Cães comuns aprenderam o cheiro do zero

A proposta não exigia farejadores profissionais. Os pesquisadores treinaram cães comuns e seus donos, pessoas que já buscavam atividades ao ar livre para fazer juntas. Ao todo, 31 cães participaram do estudo entre 2021 e 2023.

O programa combinou cursos on-line sobre comportamento canino e métodos para reconhecer odores específicos, além de seminários e exercícios no campo. Os animais aprenderam a identificar três plantas: Fallopia spp., Impatiens glandulifera e Ambrosia artemisiifolia.

Cada sessão era gravada em vídeo, e os participantes preenchiam questionários para que a equipe acompanhasse as condições de cada treino. Até detalhes como as recompensas oferecidas aos cães entraram na conta dos cientistas.

Onze equipes são aprovadas na prova final

No fim, 12 times de cães e tutores concluíram o treinamento e passaram por uma espécie de “prova final” para testar a habilidade de localizar as plantas. O resultado foi positivo: 11 equipes foram aprovadas.

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A taxa média de sucesso na detecção ficou em 75%. Com esse projeto piloto, os pesquisadores concluíram que equipes voluntárias formadas por pessoas e cães podem ser uma estratégia eficiente para encontrar plantas invasoras.

“Os resultados mostram que, em geral, é possível treinar equipes voluntárias de detecção de cães para identificar plantas exóticas invasoras, permitindo que os cães identifiquem as espécies-alvo de forma confiável. A participação em tais projetos geralmente proporciona aos cães considerável estimulação mental e enriquecimento, fortalecendo assim o vínculo entre cão e dono”, escreveram os autores na pesquisa.

Rotina pesada fez equipes desistirem

Apesar dos bons números, o estudo registrou entraves. O treinamento intensivo era difícil de conciliar com a rotina diária de muitos participantes, e diversas equipes abandonaram o programa.

Ainda assim, os pesquisadores avaliam que projetos desse tipo são viáveis. Eles sugerem informar os voluntários, desde o início, sobre o tempo que o treinamento exige, e selecionar animais saudáveis e motivados por recompensas, como comida e brinquedos.

“O que achamos particularmente empolgante é a oportunidade de transformar algo que as pessoas já adoram fazer — passar tempo ao ar livre com seus cães — em uma contribuição significativa para a conservação da biodiversidade. Com o treinamento certo, os passeios diários podem se tornar um recurso adicional para a detecção precoce de plantas invasoras”, disseram os pesquisadores em comunicado.

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