Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA; para cientista política, apoio de Trump não surpreende

Condenado no Brasil por buscar interferência americana no julgamento do pai, o ex-deputado recebeu residência permanente nos Estados Unidos.

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Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Agência Brasil
Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Foto: Agência Br...
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro conseguiu o green card, a autorização de residência permanente nos Estados Unidos. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, e a cientista política Mayra Goulart não se surpreendeu com o movimento.

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“Existe apoio inequívoco por parte de Donald Trump à família Bolsonaro como representantes de uma extrema direita que é global e retroalimenta essa força”, afirma a especialista. Para ela, esse apoio explica as iniciativas constantes de interferir no cenário eleitoral brasileiro.

A busca por apoio internacional

Ainda no primeiro ano do atual governo Trump, em 2025, Eduardo buscou a Casa Branca na tentativa de impor tarifas contra o Brasil. O objetivo era pressionar as instituições brasileiras no processo sobre a trama golpista, em que o pai, Jair Bolsonaro, acabou condenado. Em junho de 2026, o próprio Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por buscar a interferência americana no julgamento.

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Segundo Mayra Goulart, essa articulação não trouxe os resultados esperados. A especialista destaca um desprezo evidente do presidente americano em relação aos brasileiros. “Há esse menosprezo de Trump pelos países periféricos, como é o Brasil”, analisa. “Isso se soma à desinformação geral, uma falta de cuidado da extrema direita, que o leva a fazer falas sem sentido, confundindo até mesmo Flávio Bolsonaro e Eduardo.”

O impacto nas eleições presidenciais

As interferências vindas dos Estados Unidos buscam atingir diretamente a disputa pelo poder no Brasil. Mayra Goulart, no entanto, minimiza os efeitos desse debate internacional nas eleições.

“Tradicionalmente, o peso do debate internacional em uma eleição presidencial aqui é baixo”, diz a especialista. Ela acredita que qualquer efeito externo seria positivo para Lula, porque permite ao presidente mobilizar uma retórica de soberania e de defesa dos interesses nacionais, algo mais difícil para Flávio Bolsonaro, cuja trajetória mostra inúmeras frases de adesão quase incondicional aos Estados Unidos.

Desafios da candidatura bolsonarista

Para a cientista política, a forte associação dos Bolsonaro a Trump tem contribuído para enfraquecer as intenções de voto de Flávio. Outros fatores também pesam, como os escândalos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a briga pública recente com Michelle Bolsonaro.

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Segundo ela, um obstáculo enorme permanece: a rejeição entre as mulheres conservadoras, eleitorado que será determinante nesta eleição. “Elas já manifestaram uma tendência clara de apoio ao presidente Lula, não à extrema direita”, explica.

A viabilidade de outras candidaturas de direita

“É tarde demais para esperar qualquer mudança significativa no grupo político herdeiro do bolsonarismo”, afirma Mayra Goulart.

Na análise dela, as alternativas à chapa principal carecem de força e de enraizamento nos partidos tradicionais. Para a especialista, uma eventual candidatura alternativa serviria mais para liberar bases e elites políticas, como as do PSD, de Gilberto Kassab, a não apoiar Flávio Bolsonaro já no primeiro turno.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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