DNA revela que membros da família Medici morreram de malária

Análise genética indica que o cardeal Giovanni de’ Medici e o grão-duque Francesco I morreram de malária, e não envenenados.

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Durante séculos, a morte de dois membros da influente família Medici alimentou rumores de um possível envenenamento por arsênico | Foto: Reprodução

Uma análise de DNA antigo revelou que dois membros da poderosa família Medici morreram por malária na Itália, encerrando um mistério histórico que atravessou cinco séculos.

O estudo desmente teorias antigas sobre envenenamento e aponta a doença como causa das mortes do cardeal Giovanni de’ Medici e do grão-duque Francesco I. A descoberta traz informações valiosas não só sobre a história da família, mas também sobre a evolução da malária na Europa.

Análise genética descarta teoria histórica de assassinato

Por muito tempo, as sequências sucessivas de falecimentos envolvendo parentes próximos na família alimentaram rumores persistentes em torno de um possível veneno por arsênico que teria tirado vidas importantes nos séculos passados. No entanto, pesquisadores conseguiram comprovar cientificamente algo diferente: o Cardeal Giovanni de’ Medici e Grão Duque Francesco I foram vítimas diretas dos efeitos causados pela malária.

O grupo internacional responsável pelo estudo analisou fragmentos ósseos pertencentes aos dois irmãos com foco no vestígio do Plasmodium falciparum, parasita conhecido por causar a forma mais grave da doença tropical transmitida pelos mosquitos. Os resultados confirmaram a presença do agente infeccioso nos dois esqueletos e reforçaram registros médicos antigos que descreviam episódios clássicos, como as febres terçãs características da doença na Toscana.

Novas pistas sobre evolução e cepas parasitárias

As descobertas foram além de solucionar o mistério do século XVI e trouxeram informações inéditas para os biólogos. Entre esses achados estão detalhes específicos das infecções: Francesco I apresentava uma contaminação simultânea por Plasmodium falciparum junto com a presença de Plasmodium malariae. Já Giovanni de’ Medici carregava consigo um tipo específico — ou “cepa” desconhecida – desse parasita, que continha duas mutações nunca antes registradas.

Segundo os autores da pesquisa, essas evidências genéticas oferecem aos cientistas europeus oportunidades raras e valiosas. Elas permitem compreender como o parasita se adaptou ao longo dos séculos no continente e ajudam a entender quais cepas circularam na Europa em diferentes momentos.

Malária: Contexto geográfico e futuro das pesquisas

Embora a teoria do envenenamento tenha se popularizado, historiadores já apontavam que as propriedades frequentadas pelos Medici ficavam em áreas pantanosas da Toscana, região onde a malária foi um problema até o século XX.

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Os documentos históricos ainda relatam os tratamentos recebidos por eles durante períodos febris intensos.

A pesquisa atual não se limita ao âmbito acadêmico ou à história; ela abre caminhos para análises futuras sobre como essas cepas antigamente encontradas podem ter relação direta com variantes modernas do parasita.

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