Dívida pública federal sobe para R$ 9,03 trilhões em maio com emissões atreladas à Selic

Volatilidade com o conflito no Oriente Médio levou investidores a buscar títulos pós-fixados.

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| Simone Kafruni/Poder360 – 26.jun.2026 | Foto: Reprodução

A volatilidade dos mercados financeiros e o interesse crescente por títulos atrelados à taxa Selic foram os fatores que direcionaram o Tesouro Nacional para concentrar suas emissões de dívida em papéis pós-fixados durante maio.

Nesta sexta-feira (26), Helano Borges Dias, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, detalhou as movimentações. Ele apontou que um ambiente marcado pela forte instabilidade — sobretudo devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio – continuou a influenciar diretamente as colocações nos últimos meses.

Dívida federal atinge novo patamar com foco na Selic

O Tesouro Nacional informou que o estoque total da dívida pública federal subiu para R$ 9,03 trilhões em maio. Esse valor representa uma alta expressiva de R$ 234,4 bilhões (o equivalente a 2,66%) se comparado ao mês anterior, abril.

Em termos operacionais, foram emitidos R$ 166,27 bilhões em títulos públicos no período, e os resgates somaram R$ 31,81 bilhões. Isso gerou uma emissão líquida de R$ 134,46 bilhões e levou o estoque da dívida ao maior patamar da série histórica.

A demanda pós-fixada em alta

“Nos últimos três meses, principal vetor tem sido justamente o conflito ocorrido no Oriente Médio,” explicou Dias durante a apresentação do Relatório Mensal da Dívida Pública. Ele observou ainda: “O que vimos em maio foi um momento de redução da aversão ao risco pelos participantes; contudo, tivemos muita volatilidade ao longo de todo o mês.”

Essa instabilidade fez com que os investidores buscassem mais títulos LFT (Letra Financeira do Tesouro), atrelados à Selic. Segundo Dias, essa busca ocorre porque esses papéis ajudam a reduzir os riscos dos investimentos prefixados ou indexados à inflação.

Estrutura e liquidez dos ativos

A preferência pelo pós-fixado alterou o perfil das colocações: em maio, esse tipo de título respondeu pela maior parte da demanda mensal. O resultado foi um aumento na participação desses papéis no estoque total da dívida, que subiu para 48,99% (ante 48,59% em abril).

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Em contrapartida à Selic, as fatias representadas pelos títulos corrigidos pela inflação caíram ligeiramente. O percentual deles recuou de 26,76% em abril para 26,26% em maio. Já a participação dos prefixados subiu.

Apesar das variações estruturais e mesmo havendo um aumento na proporção da dívida que vence nos próximos 12 meses — subindo para 20,26% —, Dias garantiu que os indicadores permanecem saudáveis em outras métricas importantes. O prazo médio da dívida diminuiu pouco, de 4,12 anos para 4,07 anos.

Além disso, as reservas do Tesouro continuam robustas; a liquidez alcançou R$ 1,21 trilhão somente em maio.

Tesouro Direto registra emissão recorde

No âmbito específico dos investidores individuais através do programa Tesouro Direto, o desempenho também se destacou positivamente neste mês. As vendas atingiram um volume expressivo e os resgates foram menores que isso. O resultado foi uma emissão líquida de R$ 6,07 bilhões no período.

“Foi impulsionada pela procura por títulos pós-fixados,” explicou Maurício Dias Leister, coordenador geral do programa em entrevista ao portal Poder360. Ele detalhou que, em maio, o título Selic liderou a demanda, com pouco menos de 40% do total.

Por fim, o número de investidores ativos na plataforma chegou a 3,59 milhões.

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