Disputa pela relatoria da PEC que extingue a escala 6×1 gera tensão entre governo e oposição
A disputa pela relatoria da PEC que extingue a escala 6×1 revela tensões no Senado. Quais interesses estão em jogo e quem será o escolhido?
Disputa pela Relatoria da PEC que Acaba com a Escala 6×1
A disputa entre o governo e a oposição pela relatoria da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 mantém indefinido o cronograma de tramitação da proposta no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não designou o senador responsável pelo texto nem enviou a proposta, já aprovada pelos deputados, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o que tem atrasado o andamento da matéria no Congresso Nacional.
Parlamentares de diferentes espectros políticos estão em articulação com Alcolumbre para indicar um nome que atenda aos interesses de ambos os lados. O governo deseja que um senador do PT assuma a relatoria, e atualmente, Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, é o mais cotado.
Outros senadores do partido, como Rogério Carvalho (PT-SE), também são considerados fortes candidatos desde a aprovação do texto na Câmara.
Propostas da Oposição e Prazos de Transição
A PEC sugere uma transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, dividida em duas etapas, com uma diminuição de duas horas cada, sem redução salarial.
A primeira etapa deve ocorrer 60 dias após a promulgação do texto, enquanto a segunda está prevista para 12 meses depois.
Um dos senadores mais bem avaliados pela oposição para essa mudança é Efraim Filho (PL-PB), que, além de ter um bom alinhamento político, é considerado capaz de negociar acordos eficazes, tendo sido líder do União Brasil no Senado. Outro nome mencionado é Laércio Oliveira (PP-SE), mas as articulações em torno dele não avançaram.
Possíveis Nomes para a Relatoria
Na disputa entre governo e oposição, Alcolumbre deve optar por um nome que represente um meio termo. Nesse cenário, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) se tornou um dos favoritos nos corredores do Senado. O senador mineiro é visto como moderado e favorável à proposta, o que o tornaria uma escolha equilibrada para ambos os lados.
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Outros nomes citados incluem Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM), sendo que Aziz possui mais proximidade com o governo, o que gera certa rejeição entre os opositores.
A definição do relator ainda está nas mãos de Alcolumbre, que não enviou a PEC aprovada para a CCJ do Senado, o que impede a continuidade da tramitação. O senador indicou que pautaria a proposta apenas após uma reunião de líderes para discutir a relatoria, encontro que estava agendado para a semana passada, mas não ocorreu e ainda não tem nova data marcada.
Impacto da Relatoria na Tramitação da PEC
O relator desempenha um papel crucial na disputa política em torno do fim da escala 6×1.
Na Câmara, Leo Prates (Republicanos-BA) foi o nome escolhido para a relatoria, em acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que estabeleceu que a redução da jornada seria para 40 horas semanais, com dois dias de folga e sem redução salarial.
A demora de Alcolumbre em definir o cronograma e avançar com a PEC tem gerado insatisfação no governo. Senadores da base tentaram dialogar com o presidente da Casa para destravar o debate. Alcolumbre também espera um contato do presidente Lula para dar continuidade ao projeto, mas essa ligação ainda não ocorreu.
Como estratégia alternativa, o governo enviou um projeto de lei com o mesmo conteúdo da PEC para a Câmara, com regime de urgência, o que limita a pauta da Casa a PECs, Projetos de Decreto Legislativo e requerimentos de urgência.