CSN vende a CSN Cimentos para a chinesa Huaxin por R$ 12,7 bilhões, mas valor pode mudar

A CSN celebrou a venda da CSN Cimentos à chinesa Huaxin, negócio que os investidores aguardavam havia meses. A informação foi divulgada em fato relevante ao mercado no fim de semana. O valor da divisão de cimentos na transação foi avaliado em R$ 12,7 bilhões, considerando ações e dívidas existentes.
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O número ainda pode mudar. Segundo o fato relevante, o valor está “sujeito aos ajustes de fechamento usualmente aplicáveis” nesse tipo de operação, “incluindo aqueles referentes à dívida líquida e ao capital de giro da CSN Cimentos na data de fechamento”.
A conclusão depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da anuência prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de aprovações regulatórias chinesas aplicáveis.
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Exclusividade com a Huaxin chegava ao fim
A siderúrgica negociava a venda da cimenteira em regime de exclusividade com a Huaxin desde o dia 30 de outubro. O prazo se encerraria no início da semana, e a companhia fechou o acordo antes disso.
As ações da CSN (CSNA3) já vinham subindo nos últimos dias, impulsionadas pela venda iminente. Os papéis acumulavam queda de quase 50% no ano, e a divisão de cimentos é vista como peça-chave para a empresa equacionar sua dívida.
Na comunicação ao mercado, a companhia afirmou que a transação “constitui uma etapa importante na estratégia da Companhia voltada à redução do seu endividamento e o equacionamento da sua estrutura de capital”.
Venda na Alemanha eleva o total para R$ 15,8 bilhões
A venda da cimenteira vem poucas semanas depois de a CSN vender sua operação siderúrgica na Alemanha ao grupo espanhol Megasa, em transação avaliada em cerca de R$ 3,1 bilhões. Somadas, as duas negociações representam aproximadamente R$ 15,8 bilhões em valor de empresa anunciado.
O efeito no caixa, porém, depende dos ajustes de dívida e das condições finais dos acordos.
BTG vê avanço, mas valor fica perto do piso do mercado
Analistas do BTG Pactual avaliam que a negociação é um passo relevante, pois aumenta a visibilidade sobre o plano de redução do endividamento da empresa-mãe. Por outro lado, o banco observa que o valuation de R$ 12,7 bilhões ficou mais perto da parte inferior das expectativas informais, que variavam entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões.
A operação ganha peso porque a dívida líquida chegava a R$ 42,1 bilhões ao final do segundo trimestre de 2026. Ainda assim, o banco entende que a venda, sozinha, não resolve todos os desafios da companhia. A CSN ainda tem outros ativos que podem ser monetizados, como operações ligadas a minério de ferro, infraestrutura e ativos imobiliários.
O ambiente operacional segue difícil. A siderurgia brasileira enfrenta forte concorrência, e o negócio de minério sofre com fretes mais elevados e um mercado internacional menos favorável. Com isso, a geração orgânica de caixa tende a seguir pressionada, e a venda de ativos ganha mais importância na recuperação financeira.
Para o BTG, os movimentos recentes mostram avanços no reposicionamento estratégico sob o comando de Fabio Schvartsman. A capacidade de execução e o timing das próximas etapas, no entanto, seguem como pontos de atenção para o mercado.
Citi vê trabalho longe do fim
Já os analistas do Citi afirmam que o trabalho da CSN está longe de terminar. Com os juros ainda elevados no Brasil e revisões para baixo nas projeções da CSN Mineração (CMIN3), a siderúrgica deve continuar buscando alternativas para fortalecer o balanço e reduzir a dívida.
Até a conclusão, a venda da CSN Cimentos ainda aguarda o aval do Cade, a anuência da Aneel e as aprovações chinesas.
Editoria:
Redação Economia
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