CSN dispara na Bolsa com a venda de cimentos, mas BTG vê preço na parte inferior do esperado
As ações da CSN (CSNA3) estão entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) na terça-feira (3), em um pregão marcado pelo avanço na venda da subsidiária de cimentos. Por volta de 11h35 (horário de Brasília), os papéis subiam 4,12%, cotados a R$ 4,04, e chegaram a marcar alta de 5,93% na máxima do dia.
O movimento ganhou força depois do anúncio feito na sexta-feira (30). Naquele dia, a companhia fechou um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group para negociar os documentos definitivos da venda de ações da CSN Cimentos. O prazo do acordo é de dez dias, e a negociação considera um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões.
Venda de cimentos vem após outro negócio na Alemanha
O BTG Pactual chama a atenção para o momento do anúncio. Poucas semanas antes, a CSN havia assinado um term sheet vinculante para vender a Stahlwerk Thüringen (SWT), sua operação siderúrgica na Alemanha, ao grupo espanhol Megasa. Nesse caso, o enterprise value fixado é de 550 milhões de euros, cerca de R$ 3,1 bilhões.
Somadas, as duas transações representam aproximadamente R$ 15,8 bilhões em enterprise value anunciado. Os analistas ressalvam, porém, que a entrada efetiva de caixa vai depender dos ajustes de dívida e dos termos finais dos negócios.
Bancos veem avanço, mas com ressalvas sobre o preço
A equipe liderada por Leonardo Correa considera o anúncio mais recente um fato positivo para a CSN, já que dá mais visibilidade à estratégia de desalavancagem da administração. Ao mesmo tempo, o banco pondera sobre o valor fechado.
“Reconhecemos, no entanto, que o valuation de R$ 12,7 bilhões ficou na parte inferior das expectativas informais do mercado (R$ 12 a 15 bilhões), o que limita o potencial de surpresa positiva. Ainda assim, a transação é relevante frente à dívida líquida de R$ 42,1 bilhões da CSN ao fim do 2T26”, diz o banco.
O Citi também enxerga com bons olhos o avanço na venda, que considera de grande relevância para a desalavancagem da empresa. Segundo os analistas do banco, porém, o cenário de juros mais altos no Brasil e as revisões para baixo nas estimativas da CSN Mineração pesam na conta.
Por isso, a CSN deve seguir tentando reduzir a dívida e fortalecer o balanço. A recomendação do Citi para a CSN é neutra.
Venda de novos ativos segue no radar
Na leitura do BTG, mesmo que a venda da CSN Cimentos se concretize nos próximos dias, a companhia ainda precisará vender outros ativos, dado o cenário operacional desafiador. O portfólio inclui negócios operacionais, em particular minério de ferro e infraestrutura, além de ativos não operacionais, principalmente imobiliários.
O banco espera que a administração mantenha o foco nessas oportunidades, que podem reforçar a desalavancagem nos próximos trimestres. “Os anúncios recentes sugerem algum avanço no reposicionamento estratégico da companhia após a chegada de Fabio Schvartsman como CEO, embora a capacidade de execução e o timing permaneçam incertezas importantes”, diz o banco.
Do lado dos problemas, a siderurgia brasileira segue em um ambiente competitivo difícil. O minério de ferro, por sua vez, viu sua lucratividade ser pressionada por fretes altos e por uma demanda mais fraca. Os analistas projetam que esses fatores pesem sobre os resultados e sobre a geração de caixa orgânica, o que torna a venda de ativos uma peça cada vez mais central na tese de investimento.
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