Copom mantém Selic em 15% e interrompe ciclo de alta após seguidos aumentos

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta – feira (16) manter a taxa Selic em 15% ao ano, interrompendo o ciclo de alta que vinha sendo adotado para conter a inflação. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, sinaliza uma pausa no aperto monetário após seguidos aumentos nos juros básicos da economia brasileira.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A reunião do Copom faz parte de uma “superquarta”, quando também ocorre a decisão do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Enquanto o Brasil optou pela manutenção, o mercado americano aposta em uma elevação de 0,25 ponto percentual pelo Fomc, o que levaria a taxa de juros dos EUA da faixa atual de 3,5% a 3,75% para um intervalo entre 3,75% e 4%.
Contexto da decisão e inflação
A manutenção da Selic em 15% ocorre em um momento de alívio nos indicadores de inflação no Brasil. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou deflação de 0,32% em agosto, a primeira queda mensal em um ano. No acumulado de 2026, o índice aponta alta de 3,11%, enquanto a inflação em 12 meses ficou em 4,22%.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O resultado de agosto ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava uma queda de 0,29%. Esse cenário de desaceleração dos preços abriu espaço para a interrupção do ciclo de alta, que vinha sendo implementado para conter pressões inflacionárias.
A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5% para 4,9%, segundo projeções do mercado.
A decisão do Copom também reflete a avaliação de que a política monetária já está em um patamar suficientemente restritivo para trazer a inflação de volta à meta. A mediana das projeções do mercado para a Selic continua apontando uma taxa de 13,75% no encerramento deste ano, o que indica que, para a maioria dos analistas, o corte desta quarta – feira seria o último de 2026.
Expectativas divididas e próximos passos
Nem todos os agentes financeiros, porém, concordam com essa visão. Instituições como o Bank of America revisaram suas projeções e passaram a esperar cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões restantes do ano. Se confirmado, esse movimento levaria a Selic a 13,25% em dezembro.
Leia também
O mercado também acompanha de perto os sinais do Fed, que deve elevar os juros pela primeira vez em três anos. Nos Estados Unidos, a aposta em uma alta de 0,25 ponto ganhou força nas últimas semanas: nesta terça – feira (15), 92,4% dos operadores consultados pela ferramenta Fed Watch, do CME Group, esperavam elevação.
Uma semana antes, a probabilidade era de 59,4%.
A mudança no cenário americano ocorreu diante da persistência da inflação e da pressão provocada pelo aumento dos preços de energia. O PCE, principal referência de inflação do Fed, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até julho. O núcleo do indicador, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,3%.
Pressões políticas e o papel do Fed
A reunião do Fed também é marcada por pressões políticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu às vésperas da decisão que o país deveria ter “a menor taxa de juros do mundo” e cobrou uma política monetária mais branda, apesar da expectativa de alta.
O chair do Fed, Kevin Warsh, tem reforçado a necessidade de controlar a inflação e demonstrado menor tolerância a desvios em relação à meta de 2%. A decisão do Fed será divulgada às 15h (horário de Brasília), seguida de coletiva com Warsh.
Já a decisão do Copom é esperada para após as 18h 30.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



