Comer com o celular pode enganar a saciedade e levar a excessos depois
Muita gente já se pegou almoçando com o celular numa mão e o garfo na outra. O hábito de checar mensagens, ver vídeos ou rolar o feed enquanto come se tornou tão comum que passa quase despercebido. Mas nutricionistas ouvidos pelo site argentino Infobae alertam que essa distração vai além de atrapalhar a conversa à mesa — pode bagunçar a percepção do corpo sobre fome e saciedade.
Comer diante de telas, segundo os especialistas, favorece uma relação mais automática com a comida. Sem prestar atenção no prato, a pessoa pode ter mais dificuldade de perceber a saciedade, o que pode levar a um consumo maior em refeições posteriores.
Estresse e ansiedade pesam mais que o celular
Os profissionais ressaltam que o celular não deve ser visto como o grande vilão da alimentação. Fatores como estresse, ansiedade e privação de sono têm um peso considerável sobre a forma como nos alimentamos. A médica especialista em Medicina Interna e Nutrição Aguirre Ackermann explica que o estresse pode levar a escolhas mais impulsivas e reduzir a capacidade de autorregulação.
Já Giannini, outro especialista consultado, lembra que as decisões sobre o que comer acontecem no dia a dia, muitas vezes depois de um dia cansativo, cheio de preocupações e responsabilidades. O estresse também pode aumentar a ingestão e estimular a preferência por alimentos considerados mais gratificantes.
Na avaliação de Aguirre Ackermann, o ambiente e o estado emocional exercem uma influência maior sobre as escolhas alimentares do que o uso de dispositivos eletrônicos. O celular, nesse contexto, atuaria mais como um modulador do comportamento do que como causa principal do problema.
Sinais de que a relação com a comida merece atenção
Os especialistas fazem uma distinção importante: comer de vez em quando com o celular por perto não configura, por si só, um transtorno. O que deve acender um alerta é a frequência com que isso acontece e o impacto na rotina.
Entre os sinais que merecem atenção estão: comer muito rápido, sem pausas, e terminar antes de todo mundo; mastigar sem fome, por tédio, estresse ou simplesmente porque a comida está ali; ter dificuldade em parar mesmo depois de se sentir satisfeito; sentir que, uma vez que começa, não consegue mais parar; fazer refeições de forma tão automática que depois mal se lembra do que comeu; pular refeições e, mais tarde, exagerar; e usar a comida como ferramenta para lidar com emoções como tristeza, raiva ou ansiedade.
Precisa abolir o celular nas refeições?
A orientação dos nutricionistas não é criar um ritual rígido. “Não precisamos transformar cada refeição em uma cerimônia”, disse Giannini. Para ele, o essencial é “recuperar algo que estamos perdendo: estar presentes enquanto comemos”.
Aguirre Ackermann também evita um discurso radical. “O conceito não é ‘não olhar para telas’, mas quanto registro consciente existe da ingestão”, explicou. A proposta é buscar um equilíbrio, não a perfeição.
Algumas perguntas simples podem ajudar a trazer mais atenção ao prato: estou comendo porque estou com fome ou porque estou entediado, ansioso ou distraído? Eu realmente me lembro do que acabei de comer? Parei porque estava satisfeito ou porque a comida acabou?
O objetivo, no fim das contas, é resgatar a consciência sobre o ato de se alimentar.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
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Redação Variedades
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