Chanceler espanhol vê padrão em ameaças a TVs e aviões: “Não pode ser mera coincidência”

Emissoras de televisão em diferentes países europeus receberam ameaças de bomba na sexta-feira (6). As mensagens diziam que “o relógio está correndo” e provocaram o esvaziamento de prédios e a suspensão temporária de programas.
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Até o momento, as emissoras afirmam que nenhum artefato explosivo foi encontrado em suas instalações. Entre os veículos atingidos estão a irlandesa RTE, a britânica Sky e o canal privado búlgaro Nova TV, além de outras empresas de comunicação.
Programação foi interrompida na Irlanda e na Bulgária
Na RTE, parte da grade saiu do ar e deu lugar a músicas e mensagens gravadas. As interrupções chegaram a durar três horas, e o prédio só foi liberado depois de uma operação policial que se estendeu por mais de três horas.
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Em Sófia, capital da Bulgária, policiais foram até a redação da Nova TV. A equipe precisou deixar o prédio para que fosse feita uma vistoria.
Ameaças atingiram aviões e empresas ao mesmo tempo
Os alertas vieram na esteira de uma série de falsas ameaças de bomba contra aviões comerciais, registradas em ao menos três dias da semana. Os casos afetaram trajetos em países como Sérvia, Finlândia e Espanha, e nesta sexta-feira cerca de 18 voos foram impactados.
Os episódios fizeram dezenas de aeronaves mudarem de rota, realizarem pousos de emergência e passarem por inspeções de segurança. Mesmo assim, nenhum explosivo foi achado até agora.
O caso também reacendeu o temor com a onda recente de ataques digitais e outras ações criminosas. Invasões cibernéticas atingiram supermercados em 15 países europeus nas últimas semanas.
O chanceler espanhol, José Manuel Albares, disse à TVE, emissora nacional da Espanha, que ainda levará tempo para apurar o que aconteceu. Para ele, “não pode ser mera coincidência que tantos incidentes, com exatamente o mesmo modus operandi, estejam acontecendo por toda a Europa”.
Na sexta-feira, Albares também afirmou que “a suposição mais razoável é que estamos diante de uma tentativa de agressão híbrida e de uma forma de guerra psicológica”. Ele acrescentou que o continente precisa se preparar para novos desafios desse tipo.
Mensagens assinadas por Mikhail Andropov geram dúvidas
A autoria das ameaças desta sexta-feira ainda não foi esclarecida. Os e-mails recebidos pela RTE e pela Nova TV traziam a assinatura de Mikhail Andropov, que se apresentava como um dos líderes do grupo responsável pelos alertas contra aviões ao longo da semana.
Um dos textos dizia: “Isso é apenas o começo. O que aconteceu nesta semana é somente uma pequena parte do que espera a Europa em um futuro próximo”.
O sobrenome do remetente pode remeter a Yuri Andropov, ex-secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. O título “Mensagem ao Ocidente” também lembra “Novo Desafio ao Ocidente”, nome de uma biografia de Andropov. Ainda não se sabe se esses detalhes apontam para uma ligação com a Rússia ou se foram usados para desviar as suspeitas para Moscou.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que os órgãos de segurança europeus ainda não conseguiram determinar se as ameaças contra aviação e empresas de comunicação fazem parte de uma ação coordenada. Ao falar à rádio RTE, logo após a retomada da programação jornalística a partir de uma unidade externa, ele disse que “isso apenas demonstra como pode ser relativamente simples provocar transtornos e comprometer o funcionamento normal da sociedade por meio de atividades não convencionais desse tipo, planejadas para causar perturbação, medo e ansiedade”.
Em seguida, pediu: “Precisamos manter a calma”.
Editoria:
Redação Internacional
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