Cenipa revela que Voepass fingia consertar aviões para burlar segurança aérea
O Cenipa concluiu que a Voepass fingia consertar aviões com defeito para burlar regras de segurança aérea. Essa conclusão faz parte do relatório final da investigação realizada pelo Cenipa, divulgado na última quinta-feira (23). O documento revela que a companhia permitiu que aeronaves com falhas técnicas voassem sem a devida correção dos problemas, postergando soluções definitivas.
O acidente envolvendo a empresa ocorreu em agosto de 2024 e resultou na morte de 62 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Embora o modelo do avião não violasse os requisitos aplicáveis quando seguisse os critérios da MEL (Minimum Equipment List), o Cenipa identificou situações recorrentes de prazos expirados para correções em bases secundárias.
Nesses casos, a solução adotada era realizar testes operacionais que muitas vezes não resolviam as falhas reais.
Irregularidades nas operações da Voepass
A investigação destacou que a prática comum envolvia registrar falhas no TLB (Technical Log Book) após testes operacionais, atestando que o sistema estava funcional. No entanto, essa abordagem apenas ocultava problemas crônicos sem solucioná-los.
Frequentemente, as mesmas falhas eram registradas novamente, renovando os prazos sem efetiva correção dos defeitos.
O relatório também concluiu que a aeronave envolvida no acidente não deveria ter decolado. Segundo as apurações, o sistema responsável pela proteção contra acúmulo de gelo estava inoperante. Isso significa que, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante o trajeto, o voo não deveria ter sido autorizado.
O ATR-72, matrícula PS – VPB, realizava a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando se deparou com severas condições para formação de gelo. O acúmulo comprometia seu desempenho, levando à perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e queda sobre uma área residencial em Vinhedo.
Posição da Voepass sobre o acidente
Em resposta às conclusões do relatório, a Voepass afirmou estar colaborando de forma transparente com o Cenipa e as autoridades desde o início das investigações. A companhia se colocou à disposição para ajudar todas as instituições envolvidas no processo.
No comunicado oficial, a empresa descreveu a queda do voo 2283 em 9 de agosto de 2024 como um dos momentos mais difíceis da sua história. A Voepass expressou solidariedade às famílias das vítimas e ressaltou que nunca havia enfrentado uma situação tão trágica em suas três décadas de operação.
Ainda segundo a nota da empresa, todos os procedimentos relacionados à segurança e capacitação da tripulação sempre foram levados a sério. A companhia possui certificação IOSA desde 2012, um importante selo de excelência operacional concedido apenas às empresas auditadas pela IATA.
A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, com mais de 5.000 horas de voo e treinamento rigoroso atualizado regularmente. A Voepass assegurou que não houve registros prévios ou fatores que comprometessem a atuação dos pilotos envolvidos neste trágico acidente.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
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