Relatório final aponta falhas da Voepass, pilotos e Anac no acidente aéreo de 2024

Um relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) revelou que o acidente com um avião da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, foi causado por uma série de falhas envolvendo a empresa, a tripulação e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
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A investigação determinou que a aeronave não deveria ter decolado, pois estava operando com o sistema Airframe De-Icing inoperante, responsável pela proteção contra acúmulo de gelo.
O ATR-72 com matrícula PS – VPB realizava um voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando se deparou com condições severas para formação de gelo. O gelo acumulado nas superfícies críticas comprometeu o desempenho da aeronave, resultando em perda de velocidade, estol aerodinâmico e eventual queda em uma área residencial em Vinhedo (SP).
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Tragicamente, todos os 58 passageiros e os quatro tripulantes faleceram.
Falhas na Decolagem
A comissão encarregada da investigação concluiu que a decolagem foi realizada em desacordo com os requisitos operacionais. O sistema pneumático de proteção contra gelo estava indisponível no momento do despacho. Mesmo diante dessa pane conhecida, a empresa permitiu que a operação continuasse.
Além disso, o relatório destacou erros cometidos pela tripulação durante o voo. Os pilotos demoraram a perceber a gravidade da situação provocada pelo gelo e não seguiram os procedimentos recomendados pelo fabricante para abandonar rapidamente a área afetada e manter a velocidade mínima necessária.
Embora ambos os pilotos fossem habilitados e tivessem recebido treinamento adequado para operações em condições de gelo, o documento aponta falhas na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos indicou que incidentes similares já haviam ocorrido anteriormente, incluindo degradação do desempenho e alertas ignorados pelas equipes.
Supervisão Regulatório e Consequências
O relatório também critica a Anac por suas falhas na supervisão regulatória. Apesar das fiscalizações realizadas antes do acidente, foram identificadas oportunidades para melhorar a vigilância sobre a segurança operacional. Mudanças significativas foram implementadas apenas após a tragédia, como a ampliação da obrigatoriedade do Programa de Acompanhamento e Análise de Dados de Voo (PAADV) para todas as aeronaves ATR sob o RBAC 121.
Após o acidente, a Anac impôs restrições operacionais à Voepass e cassou permanentemente seus certificados de operação e manutenção em 2025. Além disso, fabricantes e autoridades começaram a adotar medidas corretivas, como atualização do software de monitoramento de desempenho da aeronave (APM) e estudos focados no treinamento para recuperação da perda de controle (UPRT).
Medidas Adotadas Após o Acidente
A investigação destaca as providências tomadas após o acidente visando evitar novas tragédias. As ações incluem um reforço nas fiscalizações presenciais na empresa e melhorias no monitoramento dos dados de voo.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Brasil
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