Caracas mostra sinais de recuperação após terremotos, mas La Guaira enfrenta zona de desastre

A recuperação em Caracas avança lentamente, enquanto La Guaira enfrenta uma crise humanitária com milhares de desabrigados e edificações em ruínas.

11/07/2026 09:27

3 min

Equipes de resgate trabalham nos escombros para encontrar sobreviventes em um prédio desabado em Caraballeda, no Estado de La Guaira, na Venezuela 30 de junho de 2026 MIGUEL MEDINA/Pool via REUTERS
Equipes de resgate trabalham nos escombros para encontrar sobrev...

A capital da Venezuela, Caracas, começa a mostrar sinais de recuperação após os devastadores terremotos que atingiram o país em 24 de junho. Com mais veículos nas ruas e estabelecimentos reabrindo, shoppings, academias e salões de beleza voltaram a funcionar, embora muitos ainda operem com horários reduzidos.

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O trânsito, que normalmente é caótico, parece mais fluido por conta da suspensão das aulas na cidade. O retorno aos escritórios também é parcial. Algumas empresas transferiram suas operações temporariamente enquanto avaliam a segurança de suas instalações.

Nos prédios residenciais, o processo de voltar para casa tem sido lento e complicado. Em algumas áreas, o acesso está restrito enquanto equipes técnicas realizam inspeções nas estruturas afetadas. As autoridades estão autorizando apenas reparos menores em alguns edifícios, como consertos de rachaduras e reparo de reboco.

Para aqueles que necessitam de obras mais extensas, é necessário aguardar uma avaliação detalhada. A utilização dos elevadores ainda causa apreensão; muitos moradores preferem usar as escadas devido ao temor de novos tremores.

A situação em La Guaira

A cerca de 30 quilômetros da capital, no estado costeiro de La Guaira, a realidade é bem diferente. A região foi declarada zona de desastre após ser uma das mais afetadas pelos terremotos. Muitas famílias ainda não sabem onde vão morar depois de perderem suas casas.

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De acordo com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, até a semana passada haviam sido registrados 189 edifícios desabados em todo o país, sendo 158 deles em La Guaira.

Estima – se que aproximadamente 59 mil edificações tenham sido danificadas ou destruídas em todo o território nacional, conforme análise realizada pela Universidade Estadual do Oregon. Entre as áreas mais afetadas estão os arredores do aeroporto internacional e a cidade de Caraballeda.

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Histórias de superação

Em Caraballeda, um destino popular em La Guaira, Mercedes Osuna tenta reconstruir sua vida após perder a irmã e assumir a responsabilidade por quatro crianças. Nos últimos dias, ela tem vivido em um abrigo com suas duas filhas e seus sobrinhos Damián e María, que ficaram órfãos após o desabamento do prédio onde moravam durante os terremotos.

Damián, de 13 anos, estava jogando futebol quando sentiu os primeiros tremores. Ele descreve o momento do colapso: “O primeiro abalo aconteceu e eu caí… então veio o outro — bum, bum, bum — muito forte.” Após horas sem saber onde sua família estava, ele finalmente reencontrou sua tia.

Agora enfrenta um novo desafio: viver sem a mãe. “Acho que não vou voltar para casa… Minha mãe se foi”, afirmou ele.

María, de apenas 10 anos, estava dentro do apartamento quando tudo aconteceu. Sua sobrevivência pode ter sido devido ao fato de estar no fundo do cômodo e uma porta ter amortecido parte do peso dos escombros que caíram sobre ela. Desde então, pergunta frequentemente pela mãe e demonstra sinais de ansiedade com barulhos altos.

Apoio e desafios futuros

No abrigo onde vivem atualmente, eles recebem alimentação e apoio psicológico. Mercedes expressa gratidão pelo suporte: “Tem sido excelente… eles ajudam muito.” A presidente em exercício Delcy Rodríguez anunciou que soluções habitacionais seriam entregues até o final do ano; no entanto, especialistas acreditam que essa promessa será difícil de cumprir diante da crise econômica enfrentada pelo país.

Para Osuna, o principal desafio permanece: encontrar um lar seguro para seus filhos. “Preciso de uma casa… é isso que eu preciso agora”, conclui ela.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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