Terremotos na Venezuela matam mais de 3.000 e testam governo de Delcy Rodríguez

Os terremotos devastadores que atingiram a Venezuela em 24 de junho deixaram mais de 3.000 mortos e transformaram – se em um teste político para a presidente interina Delcy Rodríguez. A tragédia ocorre em um contexto delicado, já que o país ainda enfrenta as consequências da captura do líder autoritário Nicolás Maduro, há seis meses.
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O desastre natural expôs a insatisfação popular com a resposta do governo e a fragilidade das instituições venezuelanas.
Os tremores, que foram considerados catastróficos e ocorreram em rápida sucessão, também provocaram ferimentos em mais de 16 mil pessoas e deslocaram cerca de 17 mil habitantes. Especialistas afirmam que o número de vítimas pode ser ainda maior, uma vez que muitos cidadãos criticam a demora das autoridades na resposta ao desastre.
Em coletiva, Rodríguez rejeitou as críticas, defendendo que as ações do governo foram rápidas e eficientes.
A vulnerabilidade do governo interino
Analistas avaliam que os terremotos representam um teste decisivo para o governo interino de Rodríguez, revelando sua vulnerabilidade política. Imdat Oner, pesquisador da Florida International University, comentou sobre a situação: “Delcy Rodríguez agora enfrenta uma crescente insatisfação popular devido à má gestão e à demora na resposta”.
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No entanto, ele observou que crises desse tipo frequentemente fortalecem regimes autoritários.
Oner sugeriu que medidas de emergência poderiam ser usadas por Rodríguez para consolidar sua autoridade e adiar reformas políticas sob o pretexto da estabilidade e reconstrução. Apesar das oportunidades políticas que podem surgir do desastre, a fragilidade do governo permanece evidente, especialmente considerando os desafios econômicos associados à recuperação após os terremotos.
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Phil Gunson, analista do International Crisis Group baseado em Caracas, alertou sobre o imenso desafio da recuperação econômica: “Isso exigirá uma grande quantidade de dinheiro que o governo simplesmente não possui”. A resposta governamental tem sido criticada por ser insuficiente e lenta, com relatos indicando pessoas ainda presas sob os escombros.
Críticas da oposição
No cenário atual, grupos de oposição intensificaram suas críticas ao governo venezuelano. Antes dos terremotos, havia otimismo entre algumas figuras da oposição após reuniões com Dinorah Figuera, ex – presidente da Assembleia Nacional eleita em 2015.
Contudo, Carlos Torrealba afirmou que as catástrofes interromperam qualquer avanço nas negociações para uma transição política.
A incerteza aumentou significativamente após os tremores. Torrealba destacou que mudanças políticas agora parecem ainda mais distantes do que antes. Um exemplo disso é María Corina Machado, uma das principais líderes da oposição, que acusou o governo de impedi – la de retornar à Venezuela para ajudar nos esforços humanitários.
Ainda assim, os Estados Unidos parecem relutantes em apoiar o retorno de Machado ao país. Um porta – voz do Departamento de Estado declarou que a prioridade continua sendo a resposta aos terremotos devastadores e ressaltou que introduzir questões políticas nesse momento poderia prejudicar esses esforços.
Permanência no poder
Gunson observou que declarações dos Estados Unidos indicam uma falta de fé na capacidade dos opositores atuais de governar eficazmente a Venezuela. Para Oner, muitos venezuelanos acreditavam que a má resposta do governo interino aos terremotos levaria Washington a reconsiderar seu apoio a Rodríguez; no entanto, isso não ocorreu até agora.
Oner concluiu afirmando que Delcy sabe como tornar seu governo útil para os interesses americanos ao atender às demandas dos Estados Unidos. Assim, é provável que Washington continue apoiando – a enquanto pressiona por reformas limitadas sem exigir uma transição democrática completa em um futuro próximo.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



