Busca por sobreviventes na Colômbia se intensifica após terremoto que deixou 500 desaparecidos

A criação de um fundo emergencial visa acelerar a recuperação das áreas devastadas, enquanto as buscas por sobreviventes se tornam cada vez mais urgentes.

Equipes de resgate trabalham no local de um prédio danificado por um terremoto, em Pereira, na Colômbia 12 de agosto de 2026

O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, anunciou nesta quarta – feira (12) a criação de um fundo emergencial destinado à reconstrução de hospitais, escolas, casas e infraestrutura afetados pelo terremoto que atingiu o país. As buscas por sobreviventes estão em um momento crítico, com cerca de 500 pessoas ainda desaparecidas. “Esta é, sem dúvida, uma tragédia de proporções imensas”, afirmou De La Espriella em um pronunciamento nacional.

O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu apenas três dias após sua posse e causou a morte de pelo menos 265 pessoas e deixou mais de 3 mil feridos.

Além disso, o presidente decretou emergência econômica no país para lidar com os estragos provocados pela catástrofe, embora não tenha detalhado quais medidas seriam implementadas. O prefeito de Cali, Alejandro Eder, também fez um alerta sobre a urgência das operações de resgate, que se tornam mais críticas à medida que se aproxima o final da janela de 72 horas após o desastre.

Buscas e resgates em Cali

Na cidade de Cali, uma das mais impactadas pelo tremor, as equipes de resgate concentram esforços em sete prédios que podem ainda abrigar sobreviventes. No complexo Torres del Limonar, moradores se uniram a soldados e funcionários da prefeitura para formar longas correntes humanas com o objetivo de remover escombros dos prédios destruídos.

Camilo Cano, integrante do Corpo de Bombeiros de Bogotá, relatou à Reuters que a organização dos trabalhos melhorou após a polícia limitar o acesso ao local para voluntários. Essa medida ajudou a reduzir o barulho e as vibrações no ambiente, permitindo que sensores detectassem melhor movimentos sob os destroços.

Enquanto isso, famílias angustiada aguardam notícias nas proximidades dos locais afetados. Em Palmira, situada a cerca de 30 km a nordeste de Cali, parentes das vítimas esperam do lado de fora do necrotério enquanto um funcionário anuncia os nomes dos corpos identificados.

Santiago Lloreda, de 31 anos, estava trabalhando quando o terremoto destruiu seu apartamento, resultando na morte de sua mãe e sua filha de apenas 13 meses.

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Desafios para o governo e apoio internacional

O terremoto representa um grande desafio para o novo governo de De La Espriella. O presidente já havia prometido ajuda às pessoas que perderam suas casas e negócios durante as visitas às regiões afetadas nos primeiros dias após a tragédia. Contudo, alguns prefeitos locais expressaram preocupação sobre possíveis saques diante da situação caótica.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, negou rumores sobre uma recusa do governo em aceitar ofertas internacionais de ajuda. Segundo ele, sua pasta está coordenando a chegada de carregamentos provenientes do Peru, México e El Salvador.

A equipe mexicana Topos Azteca também se ofereceu para ajudar nas operações.

A enfermeira Indira Meneses, 49 anos, compartilhou sua experiência em Pereira após ter parte da casa desabada durante o terremoto. Ela ficou presa junto com seus dois filhos e sua mãe idosa até ser resgatada por vizinhos. “Tenho cinco vizinhos que morreram sob os escombros”, lamentou Meneses.

Ela ressaltou a necessidade urgente do apoio das autoridades locais para reconstruir suas vidas após essa tragédia devastadora.