Brasil pode atrair data centers com energia excedente, diz CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o Brasil reúne condições para se tornar um polo de atração de investimentos em setores de alto consumo elétrico, como data centers, inteligência artificial e mineração de criptomoedas. A declaração foi feita durante o evento CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, realizado nesta quinta – feira (24) em São Paulo, que reuniu especialistas e lideranças do setor.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Na avaliação de Alban, o país possui um trunfo estratégico: a disponibilidade de energia elétrica. O desafio, porém, é transformar essa vantagem em um diferencial competitivo real. “O mundo inteiro está recusando data centers por problema de energia.
Temos energia sobrando, precisamos torná – la firme”, disse o presidente da CNI, referindo – se à necessidade de garantir um fornecimento estável e sem interrupções para atrair grandes empreendimentos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Oportunidades e gargalos para novos investimentos
Alban destacou que o excedente energético brasileiro pode ser direcionado para atividades que demandam grande volume de eletricidade. Ele citou, como exemplo, empresas chinesas que utilizam a energia sujeita a cortes de geração — o chamado curtailment— para operações de mineração de criptomoedas. A ideia é aproveitar a sobra que, de outra forma, seria desperdiçada.
O potencial, no entanto, esbarra em obstáculos conhecidos. O presidente da CNI ponderou que o chamado Custo Brasil e a burocracia podem comprometer a competitividade do país nessa corrida por investimentos. “Esses entraves elevam os custos relativos dos projetos e dificultam a atração de investimentos e a geração de valor”, afirmou Alban.
Na prática, mesmo com energia disponível, o ambiente de negócios acaba pesando na decisão de empresas estrangeiras. Para Alban, reduzir a burocracia é uma condição essencial para que o Brasil não perca a janela de oportunidades aberta pela demanda global por data centers e inteligência artificial.
O debate sobre o futuro energético do país
O evento CNN Talks Energia foi criado justamente para discutir as urgências e apontar caminhos para o setor. Especialistas e lideranças presentes em São Paulo debateram como o Brasil pode se posicionar diante de um novo mercado global de energia.
Leia também
Para Alban, o momento é favorável, mas exige ação coordenada. “Temos energia sobrando”, repetiu, reforçando que o país precisa agir rápido para transformar essa abundância em atração de projetos de alto valor agregado. Sem isso, alertou, o risco é ver o potencial se dissipar diante da concorrência internacional.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



