BoE alerta que decepção com IA pode derrubar preços de títulos públicos

BoE alerta que decepção com IA pode derrubar preços de títulos públicos, enquanto guerra entre EUA e Irã eleva riscos ao sistema financeiro global.

Sede do Banco da Inglaterra em Londres

O Banco da Inglaterra (BoE) emitiu um alerta nesta quarta – feira (30) sobre os riscos de uma nova onda de turbulência nos mercados. Segundo a instituição, uma eventual decepção com a Inteligência Artificial (IA) — caso a tecnologia não gere o esperado ganho de produtividade — pode derrubar ainda mais os preços dos títulos públicos.

O aviso faz parte do relatório trimestral do FPC (Comitê de Política Financeira, na sigla em inglês). O documento aponta que os riscos ao funcionamento do sistema financeiro global aumentaram nos últimos meses, em meio à continuidade da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Pressão inflacionária e juros

De acordo com o FPC, a queda nos preços dos títulos públicos— o que, na prática, faz os rendimentos (yields) subirem — é impulsionada em grande parte pela pressão inflacionária. O vilão do momento é a alta dos preços de energia, que se intensificou desde o fim de fevereiro.

O Comitê reconheceu que o sistema financeiro tem se mostrado “resiliente” até agora, mesmo com os rendimentos em patamares não vistos há anos. Ainda assim, a avaliação é de que “o risco de um ajuste acentuado permanece”.

O alerta do BoE chega em um momento de incerteza global. A guerra entre Estados Unidos e Irã continua a pressionar as cadeias de suprimento e os custos de commodities, alimentando a inflação e complicando o cenário para os bancos centrais.

Debate sobre regulação da IA

O presidente do BoE, Andrew Bailey, também entrou no debate sobre o futuro da inteligência artificial. Em artigo publicado no Substack, ele argumenta que começar a discussão pela elaboração de regras pode ser um equívoco.

Bailey reconhece que os riscos relacionados ao avanço da tecnologia são cada vez mais significativos. No entanto, ele defende que, antes de qualquer regulamentação, é preciso definir com clareza o problema e assegurar “pontos críveis de intervenção”, baseados em testes rigorosos.

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“IAs se comportarão de forma inesperada — isso é evidência de por que testar é necessário”, afirmou o dirigente do banco central britânico.

A declaração de Bailey ocorre um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, divulgar um acordo com diretrizes para o setor. O pacto estabelece um compromisso conjunto de empresas de tecnologia com responsabilidades de segurança no desenvolvimento e na implantação de modelos avançados de IA.