Bancos elevam recomendação de ações brasileiras após resultado do 1º turno

JP Morgan, Morgan Stanley e Citi revisam perspectivas e projetam alta de até 20% no Ibovespa com expectativa de reforma fiscal.

07/10/2026 04:14

3 min

Ilustração de notas de dólar sendo despejadas por cima do mapa do Brasil
Ilustração de notas de dólar sendo despejadas por cima do mapa d...
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O Ibovespa disparou e atingiu novos recordes nesta semana, após o primeiro turno das eleições gerais, realizado no domingo (4). O índice fechou a segunda – feira com alta de mais de 7%, superando os 200 mil pontos e marcando 209.605,70 na máxima, o maior nível intradiário já registrado.

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O resultado colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT), com 52% dos votos contra 48%, e gerou uma onda de otimismo no mercado financeiro.

Grandes bancos estrangeiros, como JP. Morgan, Morgan Stanley e Citi, correram para revisar suas perspectivas sobre o Brasil. Eles enxergam no resultado eleitoral uma chance de reforma fiscal estruturante, o que reduziria o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros.

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Bancos elevam recomendação de ações brasileiras

O JP. Morgan foi o primeiro a agir. O banco elevou a recomendação das ações brasileiras de “neutra” para “overweight”, indicando que os investidores devem comprar ativos ligados ao país. Em agosto, o banco havia rebaixado o Brasil, mas agora vê o potencial de alta como superior ao de qualquer outro mercado da América Latina.

O Morgan Stanley também se mostrou otimista. Os analistas da casa projetam uma alta entre 15% e 20% do Ibovespa até o fim do ano, caso haja mudanças na política fiscal. Ambos os bancos acreditam que o índice pode bater os 250 mil pontos. O Morgan Stanley fala em um momento inicial de “rebalanceamento” com as expectativas por uma consolidação fiscal.

O Citi, por sua vez, destacou que Flávio Bolsonaro é o candidato mais favorável ao mercado, prometendo austeridade fiscal, privatizações e desregulamentação. O banco pondera que o bom desempenho de seu partido no Senado deve facilitar a aprovação de sua agenda legislativa.

Benefício da dúvida e o desafio fiscal

Apesar do entusiasmo, o mercado ainda vê falta de clareza sobre as propostas de Flávio. Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, afirma que prevalece o “benefício da dúvida”. Ela explica que o Brasil tem vivido com alto prêmio de risco, e que a continuidade da política atual levaria a dívida a subir.

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Srour ressalta que a descompressão de risco explica a euforia de segunda – feira, mas que o mercado coloca o benefício da dúvida com preço importante. A equipe econômica de Flávio estuda uma nova PEC da Transição, com foco no enxugamento da máquina pública.

O alvo seria economizar R 250 bilhões, mas o mercado reconhece que serão necessárias medidas impopulares, o que deve explicar a falta de sinalizações mais claras enquanto as eleições não são concluídas.

Fernando Saad Benatti, estrategista global da Avenue, alerta que os investidores estarão atentos sobre quem serão os membros da equipe econômica de Flávio e quais serão as propostas. Se as medidas contemplarem apenas cortes de ministérios e vendas de patrimônios, o benefício da dúvida pode começar a ser retirado.

Risco de saída rápida de capital

Benatti qualifica o posicionamento dos investidores estrangeiros como uma “alocação tática”. Ele explica que, da mesma forma que o dinheiro entra rapidamente quando o cenário melhora, ele também pode sair com a mesma velocidade se a percepção de risco aumentar.

O risco é que o movimento de disparo pode virar um estouro.

O analista conclui que, embora juros menores tendam a favorecer as empresas e a bolsa brasileira, o cenário continua desafiador. O mercado ainda não tem clareza sobre a intensidade da desaceleração da economia brasileira, e os próximos passos do governo eleito serão cruciais para manter a confiança dos investidores.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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