Atlas da Violência: Brasil tem em 2024 a menor taxa de homicídios da série

Foram 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes; o Amapá teve a maior alta e a maior taxa do país.

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Foto: Reprodução

Queda nos homicídios no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026

Em 2024, o Brasil teve a menor taxa de homicídios desde o início do Atlas da Violência, estudo anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira, 26 de maio de 2026.

Os dados revelaram uma taxa de 20,1 assassinatos por cada 100 mil habitantes, representando uma diminuição de 7,4% em relação a 2023. O número absoluto de homicídios em 2024 foi de 42.590, uma queda de 6,9% em comparação com o ano anterior.

Dados-chave do Atlas da Violência 2026

O estudo demonstra uma redução de 33,4% na taxa nacional de homicídios entre 2014 e 2024, acompanhada de uma diminuição de 29,6% no número total de assassinatos. Essa melhora, no entanto, não se distribuiu uniformemente pelo país, com exceções notáveis.

Desempenho regional e anomalias

A unidade federativa que apresentou o maior aumento tanto na taxa quanto no número de homicídios foi o Amapá, com incrementos de 30,2% e 41,8%, respectivamente. Essa disparidade chamou a atenção dos pesquisadores, que apontam para um aumento significativo da subnotificação de crimes nesse estado.

A percepção de insegurança da população também permanece elevada em diversas regiões do país.

Entre os estados com as menores taxas de homicídio em 2024 estão São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com 6,6, 8,1, 10,3, 12,8 e 15,2 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente. Na outra ponta, o Amapá liderou, com 45,7, seguido por Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

Homicídios ocultos e desafios na coleta de dados

O Atlas da Violência 2026 também aborda o fenômeno dos “homicídios ocultos”, casos em que a causa da morte não é identificada como homicídio, suicídio ou acidente. Em 2024, esses casos representaram 3.311 mortes, um aumento de 23,8% em relação a 2023.

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Os pesquisadores estimam que quase metade desses casos (41%) são, na verdade, homicídios subnotificados, dificultando o combate à violência.

Para tentar solucionar esse problema, a equipe do Atlas desenvolveu uma metodologia para identificar homicídios ocultos com base em padrões de letalidade. Esses casos, agora chamados de “homicídios ocultos”, foram combinados com os dados oficiais para fornecer uma estimativa mais precisa do número de mortes violentas.

Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, informou que, após essa análise, foram identificados 7.083 homicídios não classificados como tal, representando 14,3% dos homicídios estimados em 2024.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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