Atirador mata seis e fere 16 em Cracóvia, no pior ataque a tiros da Polônia desde 1989

Agressor de 2002, descrito como fascinado por ideologias de extrema-direita, foi baleado pela polícia e hospitalizado; autoridades ainda investigam a motivação.

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Uma mulher permanece ao lado de uma área isolada, onde a polícia trabalha, no centro histórico de Cracóvia, na Polônia | Foto: Reprodução/Jovem Pan

Um homem “fascinado por ideologias de extrema-direita” matou seis pessoas e feriu outras 16 no sábado (7), ao abrir fogo no centro histórico de Cracóvia, no sul da Polônia. É o pior ataque a tiros registrado no país desde a queda do comunismo.

A Praça do Mercado Principal, no coração do centro histórico e muito frequentada por turistas e moradores, ficou completamente isolada à noite. Um jornalista da AFP na cidade viu pessoas caídas no chão, veículos de emergência, agentes armados e helicópteros sobrevoando o local.

Várias lojas próximas tiveram as vitrines quebradas.

Como ocorreu o ataque

De acordo com a polícia, o agressor é um cidadão polonês nascido em 2002 e agiu sozinho. No início da tarde, ele invadiu a praça com um carro e começou a atirar “ao acaso”.

“O balanço de mortos é de seis: quatro mulheres e dois homens”, afirmou a corporação no X. Entre os feridos há policiais, acrescentou a instituição.

Os agentes atiraram no agressor, que foi hospitalizado. No momento do ataque, ele vestia roupas militares e portava uma arma longa.

Polícia encontrou mais armas e munição no carro

Em seu veículo, “os policiais encontraram outras armas de fogo e grande quantidade de munição”, disse Katarzyna Cislo, porta-voz da polícia de Cracóvia, ao canal privado TVN24.

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Em coletiva de imprensa em Cracóvia, o ministro do Interior, Marcin Kierwiński, afirmou que “tudo indica que o agressor tinha opiniões muito, muito radicais”.

O ministro detalhou que 16 pessoas foram hospitalizadas após o ataque, entre elas cinco estrangeiros. Entre as vítimas fatais também há um estrangeiro.

Autoridades ainda não detalham a motivação

As autoridades não informaram a motivação nem as nacionalidades das vítimas. O ataque é o mais mortal registrado na Polônia desde 1989, ano da queda do comunismo.

Annette, uma mulher de cerca de 60 anos, contou ter visto “um homem atirando nas pessoas e caminhando pela praça”. “É uma tragédia para Cracóvia, nunca vimos algo assim”, afirmou.

Muitas pessoas na praça estavam em choque, chorando e abrigadas nas lojas do centro histórico. A cidade, segunda mais populosa do país e antiga capital, recebeu 16,2 milhões de turistas em 2025.

Tusk e Nawrocki cobram explicações

O primeiro-ministro Donald Tusk lamentou “um ataque a tiros trágico” e disse que “a polícia está investigando os antecedentes e todas as circunstâncias do ataque”. O porta-voz do governo, Adam Szlapka, anunciou que Tusk se deslocava para a cidade.

O presidente Karol Nawrocki, nacionalista conservador, expressou “enorme preocupação” com o incidente. “Espero explicações completas sobre as circunstâncias desses acontecimentos dramáticos”, publicou no X. Ele também afirmou que “a segurança dos poloneses é uma prioridade absoluta”.

Nawrocki mantém relações muito complicadas com o governo centrista e pró-europeu de Tusk.

Outros líderes europeus enviaram mensagens de apoio. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, manifestou “solidariedade”, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que seu país “está lado a lado com a Polônia, como amigo e aliado”.

Licenças de porte disparam e alerta cresce no país

Ataques a tiros são raros neste país da Europa Central, de 38 milhões de habitantes, membro da União Europeia e da Otan. Em outubro, uma série de esfaqueamentos deixou a Polônia em estado de alerta máximo. Tusk atribuiu esses casos a um crescente “culto à violência” no mundo, que “também chegou à Polônia”.

O país também registra forte aumento no número de licenças de porte de arma de fogo. Em 2025, foram emitidas mais de 50 mil novas licenças, elevando o total para 411 mil, segundo dados da polícia.

Varsóvia é uma aliada firme da Ucrânia desde a invasão russa de 2022 e tem alertado repetidamente sobre sabotagens russas e uma guerra híbrida em seu território. Moscou refuta essas acusações.

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