Posições compradas em dólar saltam de 36% para 70% entre gestores ouvidos pela XP antes do Copom

Pesquisa da XP com 20 gestoras mostra que 75% esperam Selic mantida na quarta-feira (4), e 95% veem a economia negativa após a reeleição de Lula.

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Dólar, real, DXY, câmbio | Foto: Reprodução/Money Times

Gestores de fundos multimercados chegaram à semana do penúltimo Comitê de Política Monetária (Copom) do ano com expectativas bem diferentes das projeções feitas antes das eleições presidenciais. Na pesquisa pré-Copom da XP, com 20 gestoras, 75% esperam a manutenção da Selic na quarta-feira (4), enquanto 25% apostam em corte de 0,25 ponto percentual (pp.).

A mudança de humor veio depois da reprecificação dos ativos brasileiros nas últimas semanas. A perda de força da tese de que o Banco Central ainda teria espaço para reduzir os juros se deu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), somada à visão de que a política fiscal não será suficiente para ajustar as contas públicas.

Gestores reduzem apostas na alta da bolsa

O Ibovespa acumulou queda de 13,9% em um único pregão após o resultado eleitoral, e o dólar subiu cerca de 8% frente ao real. Na curva de juros, a abertura foi de mais de 250 pontos-base, o que mostra maior percepção de risco sobre os ativos brasileiros.

Em setembro, 70% dos gestores consultados estavam comprados em ações locais. Dois meses depois, o percentual caiu para 25%. As posições vendidas, inexistentes na pesquisa anterior, chegaram a 30%. Segundo a XP, é a primeira vez em 2026 que os gestores pessimistas superam os otimistas em relação à bolsa brasileira.

Dólar vira aposta consensual entre gestores

A principal beneficiada foi a moeda norte-americana. As posições compradas em dólar saltaram de 36% para 70% entre setembro e novembro, e apenas 30% dos entrevistados mantêm posições vendidas na divisa.

No real, o movimento é ainda mais claro. A parcela de gestores comprados na moeda brasileira caiu de 75% para 21%, enquanto as posições vendidas subiram de 25% para 79%.

Visão sobre a economia brasileira piora

A fatia de gestores que classificam o cenário econômico do país como negativo foi de 55% para 95%, o maior nível da série acompanhada pela XP. Nenhuma das 20 gestoras disse ter visão positiva para a economia brasileira no momento.

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A expectativa mediana para a inflação de 2026 subiu de 4,97% para 5,24%, distanciando-se ainda mais da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. Já a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,78% para 1,68%.

Apesar da aposta majoritária na manutenção da Selic nesta reunião, o mercado ainda não descarta juros menores à frente. A projeção mediana para a Selic terminal em 2027 está em 13,04%.

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