Viridis estima investimento de US 449 milhões para projeto de terras raras em MG até 2028

Viridis planeja iniciar a produção de terras raras em 2028, com foco em um produto refinado que atenderá à crescente demanda do mercado.

Viridis terras raras

A Viridis Mining and Minerals anunciou que o investimento necessário para colocar em operação o projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas (MG), é estimado em US 449 milhões. A expectativa é que a produção comece no segundo semestre de 2028, conforme divulgado no estudo definitivo de viabilidade (DFS) nesta quinta – feira (20.

Este estudo é uma etapa crucial para que projetos minerais avancem da fase de análise para a decisão final de investimento e construção.

O DFS fornece informações detalhadas sobre os custos operacionais, as reservas disponíveis, a engenharia envolvida, o desempenho metalúrgico e as projeções econômicas do projeto, dados que serão analisados por instituições financeiras interessadas em financiar a iniciativa.

Importância do DFS para financiamento

A conclusão do estudo oferece aos potenciais credores parâmetros claros sobre custos e desempenho econômico, fundamentais na análise de crédito. A Viridis pretende receber propostas de financiamento e avançar nas aprovações necessárias até o final de setembro.

O produto final do Colossus será um carbonato misto refinado de terras raras (MREC), ao invés de apenas extrair e exportar o minério bruto. O projeto inclui uma etapa adicional de processamento, visando concentrar as terras raras em um produto intermediário que será utilizado em etapas posteriores de separação e transformação.

Essa abordagem foi ajustada em relação ao estudo anterior, com a intenção de reduzir a quantidade de lantânio, um elemento menos valioso, enquanto aumenta a proporção das terras raras magnéticas mais demandadas.

O MREC projetado conterá cerca de 63,9% de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 2,8% de disprósio e térbio (DyTb). A produção média esperada é aproximadamente 2.967 toneladas por ano desses óxidos magnéticos. Esses elementos são cruciais na fabricação de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

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Projeções e cronograma do projeto

O cronograma apresentado no DFS prevê que a primeira produção ocorra no segundo semestre de 2028, com um aumento gradual da capacidade produtiva. A empresa já completou licitações para aquisição dos principais equipamentos e está negociando contratos para fornecimento.

Além disso, foi contratada a conexão do projeto à rede elétrica de alta tensão.

Atualmente, o Colossus possui 200,1 milhões de toneladas em reservas minerais, com teor médio de 2.894 partes por milhão (ppm) dos óxidos totais das terras raras. Dentro desse total, 27,4 milhões de toneladas são classificadas como reservas provadas e 172,7 milhões como prováveis.

Embora o estudo econômico considere inicialmente um período produtivo de 25 anos, as reservas indicam potencial para cerca de 41 anos operando na capacidade máxima prevista.

A Viridis estima que o Colossus poderá gerar US 8,54 bilhões em receita durante os primeiros 25 anos. O valor presente líquido após impostos está projetado em US 1,196 bilhão, com uma taxa interna de retorno estimada em 36,4%, além da recuperação do investimento inicial prevista para ocorrer após 2,7 anos do início da produção.

Nova captação financeira

Em conjunto com o DFS, a Viridis anunciou planos para captar até US120 milhões em capital visando financiar os avanços no projeto Colossus. Desse montante totalizado, até US 75 milhões virão da gestora One Investment Management. Outros US 40 milhões foram comprometidos por investidores estratégicos adicionais.

A ORE Investments e Régia Capital também anteciparam uma parte adicional no valor de US 5 milhões dentro de um acordo já existente. A estrutura financeira proposta pela companhia prevê que cerca de 70% do investimento seja financiado por dívida e os restantes 30% por capital próprio.

Com um CAPEX estimado em US449 milhões, isso implica uma necessidade aproximada de US 135 milhões em equity. Considerando a nova captação junto aos recursos ainda disponíveis do acordo com ORERégia e o caixa atual da empresa, a Viridis acredita ter fontes suficientes identificadas para cobrir essa parcela necessária.

Ainda assim, a empresa precisa concluir seu pacote financeiro relacionado à dívida e transformar as negociações sobre a venda da produção em contratos vinculativos. Também é essencial obter a licença necessária para instalação antes da decisão final sobre investimento (FID.

A expectativa é avançar nessa decisão no quarto trimestre deste ano para então iniciar a construção do projeto.