Vale (VALE3) prevê trégua nos custos no 4T26, mesmo com minério fraco e Brent a US$ 91,29

Com cerca de 75% do frete marítimo coberto por contratos de longo prazo, a mineradora tenta conter a pressão do bunker e cita cobertura acima de 80% para 2027.

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Vale (VALE3) day trade | Foto: Reprodução/Money Times
Vale (VALE3) day trade | Foto: Reprodução/Money Times

A Vale (VALE3) espera estabilidade nos custos no quarto trimestre de 2026, depois de sofrer pressão no terceiro trimestre, sobretudo com a alta do petróleo. A informação foi dada na sexta-feira (30), em teleconferência com analistas, na qual o CEO Gustavo Pimenta e a diretoria detalharam como a mineradora pretende conter despesas e preservar a competitividade.

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O cenário combina duas frentes de pressão. Além do petróleo, a fraqueza nos preços do minério de ferro também passou a incomodar a companhia, que agora busca manter a conta sob controle sem perder volume.

Petróleo puxa custos, e Brent sobe 34% no ano

O combustível dos navios, o bunker, é o ponto mais sensível para a Vale, já que encarece o frete marítimo. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o barril do Brent subiu cerca de 34%, para uma média de US$ 91,29. Frente aos três meses imediatamente anteriores, porém, houve recuo de 5,6%.

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Ao falar com o mercado, Gustavo Pimenta afirmou: “Nosso foco não é simplesmente produzir mais toneladas, mas entregar os volumes certos, com o custo e a qualidade certos, para maximizar a criação de valor”.

Segundo o CFO, Marcelo Bacci, a empresa trabalha para compensar pressões inflacionárias e o custo mais alto do diesel e do combustível marítimo. A companhia também aposta em contratos de transporte e em operações de hedge para diminuir a exposição às oscilações do mercado.

A expectativa é que os custos do minério de ferro fiquem dentro das faixas de projeção para o ano.

Como a Vale se protege das oscilações do mercado?

A resposta está em contratos de frete de longo prazo, que funcionam como hedge, somados a vantagens operacionais da frota. Hoje, cerca de 75% das necessidades de transporte marítimo estão cobertas por esses contratos, e, para 2027, a cobertura já passa de 80%.

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A mineradora também recorre a acordos futuros de frete (FFAs) e a hedge de petróleo. A composição da frota ajuda nessa conta, já que navios maiores e mais eficientes gastam menos combustível para cada tonelada transportada.

Os efeitos já aparecem no terceiro trimestre. O frete realizado foi de US$ 22,80 por tonelada, mas caiu para US$ 21,40 quando se consideram os efeitos de caixa do hedge de petróleo e dos FFAs. Já o custo all-in do minério de ferro passou de US$ 60,40 para US$ 59,00 por tonelada após os mesmos ajustes.

Proteção do petróleo e do câmbio para 2026 e 2027

No petróleo, a Vale protegeu cerca de 70% da exposição prevista para o quarto trimestre de 2026, a um preço médio próximo de US$ 79 por barril. Para 2027, a cobertura chegava a aproximadamente 67%, em torno de US$ 78 por barril. Esses preços médios levam em conta contratos a termo de Brent e de combustível marítimo.

No câmbio, a companhia tinha cerca de US$ 700 milhões de exposição ao real protegida no quarto trimestre, a uma taxa média perto de R$ 5,80 por dólar. Para 2027, a proteção alcançava aproximadamente US$ 5 bilhões, à taxa média de R$ 5,70.

Hedge já rendeu US$ 702 milhões em caixa até setembro

Segundo a Vale, o programa de hedge gerou US$ 249 milhões em benefícios de caixa só no terceiro trimestre. Nos nove primeiros meses de 2026, o total chegou a US$ 702 milhões.

Desse montante, US$ 456 milhões vieram de operações ligadas ao petróleo, US$ 210 milhões ao câmbio e US$ 36 milhões de outras operações. A estratégia marítima de longo prazo, por sua vez, evitou cerca de US$ 3 bilhões em custos em 2026, segundo estimativa da própria companhia.

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