Vale espera regulamentação de minerais críticos e decreto de cavidades após as eleições

A Vale espera que, com o fim do período eleitoral, Brasília avance em duas frentes que podem destravar novos investimentos em cobre e tornar mais competitivas suas operações de minério de ferro. Na sexta-feira, 30 de outubro, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, Marcelo Bacci, diretor financeiro da companhia, disse que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva deve favorecer temas já discutidos com o Executivo.
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Na entrevista coletiva, Bacci afirmou que a empresa mantém um bom diálogo com o governo e que a continuidade tem vantagens. “Temos um relacionamento muito construtivo com esse governo. Tem alguns lados positivos de ter uma continuidade, que é uma continuidade maior de determinados temas que já estão em andamento. Quando você tem uma troca de governo normalmente causa uma certa interrupção”, afirmou o CFO.
Regulamentação de minerais críticos pode ampliar a produção de cobre
A expectativa é que a regulamentação da Lei de Minerais Críticos crie espaço para a Vale investir em cobre além do que já está previsto em seu plano de longo prazo. A meta é levar a produção a perto de 500 mil toneladas em 2030 e a 700 mil toneladas em 2035, com a maior parte do avanço concentrada na região de Carajás.
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Bacci ressalta que essas projeções não dependem de mudanças na legislação. Uma eventual regulamentação, porém, representaria uma oportunidade extra. “Isso pode abrir a possibilidade de investimentos adicionais”, afirmou.
Decreto sobre cavidades naturais mira custos no Sistema Norte
O decreto sobre cavidades naturais tem impacto mais direto sobre o minério de ferro, sobretudo nas operações do Sistema Norte. A Vale aposta que o texto amplie o potencial produtivo da região e reduza custos, ao eliminar restrições que hoje travam o planejamento e a execução da mineração.
“Com um decreto modernizado e com a retirada de algumas restrições, a gente poderia fazer uma mineração mais fluida, com custos menores na região”, afirmou Bacci. Apesar do potencial de ganhos, o executivo descartou qualquer efeito imediato sobre os resultados.
Mesmo que a nova regulamentação saia ainda neste ano, os efeitos não serão sentidos em 2027.
Lucro do terceiro trimestre fica abaixo das projeções
A Vale fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,2 bilhão, queda de 53% ante o mesmo período do ano passado e recuo de 9% frente ao segundo trimestre. O número ficou abaixo da média das projeções coletadas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro de US$ 1,5 bilhão.
A receita líquida chegou a US$ 10,6 bilhões entre julho e setembro, com alta de 2% na comparação anual e de 1% sobre os três meses anteriores. Já o Ebitda ajustado somou US$ 3,3 bilhões, retração de 24% ante o ano passado e de 9% em relação ao segundo trimestre.
Bacci avaliou que a estratégia de diversificação, que aumenta gradualmente a participação dos metais básicos, ajudou a amortecer o tombo. “A gente teve, obviamente, um Ebitda que foi menor do que no trimestre anterior, mas muito menos impactado do que poderia ter sido se a gente fosse uma empresa puramente de minério de ferro”, afirmou.
Frete e preço do minério colocam volumes em risco em 2027
A queda do preço do minério de ferro, combinada ao encarecimento do frete marítimo, também pode frear a produção, sobretudo nas compras de minério de terceiros. A Vale estima que cerca de 5 milhões de toneladas, em base anualizada, estejam em risco em 2027, a depender das condições de mercado e da rentabilidade dessas operações.
Bacci disse que a companhia não quer ampliar volumes de produção ou comercialização se isso comprometer os retornos. “Cada carga que a gente vende, cada transação que a gente faz, tem que dar retorno para a companhia”, afirmou.
Vale prioriza caixa e segura dividendos extraordinários
O fluxo de caixa livre subiu 48% ante o segundo trimestre, para US$ 2,2 bilhões, enquanto a dívida líquida expandida caiu US$ 264 milhões, para US$ 16,4 bilhões. Mesmo assim, a Vale não prevê dividendos extraordinários em 2026.
Para o executivo, as incertezas geopolíticas do próximo ano levaram a companhia a priorizar a preservação de caixa e a manter a dívida em patamar mais baixo. “Preferimos estar um pouco no lado conservador, conservar um pouco mais de caixa, manter a dívida mais baixa, para poder lidar com os cenários muito incertos para o ano que vem”, afirmou.
Por volta das 14h, as ações da Vale subiam 3,16%, cotadas a R$ 61,95. No ano, os papéis acumulam queda de 14,4%, e o valor de mercado chega a R$ 275 bilhões.
Editoria:
Redação Economia
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