Vale (VALE3) descarta dividendos extraordinários em 2026, mas CFO Bacci aponta recompra de ações

Segundo o CFO Marcelo Bacci, a geração de caixa vai bem, mas incertezas geopolíticas e o petróleo Brent a US$ 91,29 no 3T26 pesam sobre os custos de frete.

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Logo da Vale (VALE3) | Foto: Reprodução/Seu Dinheiro
Logo da Vale (VALE3) | Foto: Reprodução/Seu Dinheiro

A Vale (VALE3) descartou o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. A decisão foi comunicada pelo CFO Marcelo Bacci durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre (3T26), realizada após a companhia divulgar o balanço na quinta-feira (29).

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Para o executivo, o cenário macroeconômico exige mais cautela na alocação de capital. Ele afirmou que o problema não está na geração de caixa, que, segundo ele, vai bem, mas nas incertezas geopolíticas previstas para o ano seguinte.

Bacci vê ações descontadas e aposta em recompras

Apesar da cautela com dividendos, Bacci avaliou que os papéis da Vale estão descontados. Ele citou os programas de recompra como uma opção atraente para usar o capital da companhia.

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O executivo disse que a empresa deve encontrar oportunidades de recomprar ações nos próximos meses. Ainda assim, ele reconheceu que não dá para prever o volume nem o momento das operações.

Em tese, a recompra reduz o número de ações em circulação e amplia a fatia dos investidores que continuam na companhia. Quando a operação ocorre abaixo do valor considerado justo pela empresa, ela também pode criar valor para o acionista no longo prazo.

Petróleo pressiona custo do frete

O petróleo aparece como um dos principais fatores de pressão sobre a Vale. No trimestre, o barril do Brent, referência internacional, teve preço médio de US$ 91,29. O valor ficou 5,6% abaixo dos três meses anteriores, mas subiu 34% na comparação com o mesmo período de 2025.

O impacto chega principalmente pelo bunker, combustível usado pelos navios que transportam o minério. Com a alta, o frete tende a encarecer e aumenta as despesas da mineradora. A companhia tem mecanismos de proteção contra essas oscilações, mas não consegue eliminar totalmente o efeito.

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No balanço anterior, a Vale já tinha alertado que o petróleo seria um fator relevante para os resultados seguintes, segundo o Seu Dinheiro. A alta atual é atribuída à guerra persistente no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos.

Minério de ferro é vendido a US$ 85,1 por tonelada

Além do petróleo, a Vale enfrenta preços fracos do minério de ferro. No trimestre, a cotação praticada pela companhia caiu 10%, tanto na base anual quanto na trimestral, e chegou a US$ 85,1 por tonelada.

A desaceleração da economia chinesa, sobretudo nos setores imobiliário e de construção civil, reduz a demanda por aço e, por consequência, pelo minério. As siderúrgicas trabalham com margens apertadas e evitam formar estoques, enquanto os portos chineses acumulam grandes volumes do produto.

Do lado da oferta, a produção elevada das grandes mineradoras e a entrada de novos projetos ampliam a disponibilidade do minério no mercado. Esse excesso segue pressionando as cotações.

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