Tribunal georgiano prende Vakho Sanaia por 30 dias após críticas a políticos governistas

A condenação é a terceira penalidade contra o apresentador da Formula e ocorre em meio a preocupações sobre liberdade de imprensa na Geórgia.

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Manifestante agita bandeira da Geórgia durante protesto contra projeto de lei sobre “agentes estrangeiros”, em 09/03/2023. REUTERS/Zurab Javakhadze

Vakho Sanaia, jornalista do canal de oposição Formula, foi condenado a 30 dias de prisão por um tribunal na Geórgia nesta segunda-feira (19), após publicar comentários online contra políticos do partido governista. O caso é o segundo em que ele é detido e a terceira penalidade aplicada ao apresentador de TV.

A decisão, noticiada pela agência de notícias Interpress, integra uma série de processos por “discurso de ódio” que têm levantado preocupações sobre a liberdade de imprensa. Sanaia já havia cumprido 14 dias de prisão em julho por publicações com termos vulgares dirigidos a políticos.

Publicações de Sanaia motivaram nova condenação

As mensagens criticavam o presidente do Parlamento da Geórgia e outro integrante do partido governista. Trechos dos comentários foram divulgados pela mídia georgiana.

Após a decisão, Sanaia afirmou à Interpress: “O objetivo principal da minha prisão é silenciar a sociedade”. Em seguida, disse: “Nós derrubaremos este regime, não importa quanto tempo leve.”

Governo ampliou ações contra opositores

O partido “Sonho Georgiano” está no poder desde 2012 e intensificou medidas contra figuras e grupos de oposição depois de vencer novamente as eleições parlamentares de outubro de 2024. A suspensão do processo de adesão da Geórgia à União Europeia desencadeou grandes manifestações de rua no país do Cáucaso do Sul.

Os protestos refletem a indignação de georgianos que veem a decisão como um sinal de guinada autoritária. Na próxima semana, o Tribunal Constitucional analisará uma ação do “Sonho Georgiano” para banir definitivamente os maiores partidos de oposição.

O governo também criou, dentro do Ministério do Interior, um órgão para acompanhar declarações públicas que “violem ou insultem a dignidade humana e contenham discurso de ódio”. Desde então, dezenas de pessoas foram presas e multadas por levar cartazes a manifestações ou publicar críticas online a políticos e outras figuras públicas.

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Entre os alvos dessas críticas está Bidzina Ivanishvili, bilionário e ex-primeiro-ministro amplamente apontado como o governante de fato da Geórgia. A Human Rights Watch e outros grupos de defesa dos direitos humanos criticaram os processos, por considerarem que ameaçam a liberdade de expressão.

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