Usuários de 159 países buscam mais tempo e excelência profissional com auxílio da IA

Um estudo inédito realizado pela Anthropic revelou como a inteligência artificial (IA) é percebida por usuários de diferentes partes do mundo. A pesquisa envolveu 80.508 conversas em 159 países e 70 idiomas, sendo considerada a maior análise qualitativa sobre o tema até o momento.
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Os resultados mostram que, apesar da alta aprovação geral, com 67% dos participantes expressando sentimentos positivos em relação à tecnologia, existe uma complexidade nas percepções que une benefícios e riscos.
A pesquisa buscou entender as expectativas e preocupações dos usuários em relação à IA. A maioria, 81%, acredita que a tecnologia já avançou em direção ao que desejam, mas os dados também indicam contradições significativas nas respostas.
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Expectativas em relação à inteligência artificial
Quando questionados sobre o que gostariam que a IA fizesse por eles, os entrevistados destacaram a busca por excelência profissional como prioridade. Essa categoria ficou em primeiro lugar, mas os desejos relacionados à vida pessoal dominaram o resultado geral.
Entre as principais expectativas estão:
A excelência profissional foi mencionada por 18,8% dos participantes, que esperam que a IA assuma tarefas repetitivas e permita um foco maior em trabalhos complexos. Já 13,7% desejam uma transformação pessoal, com a IA atuando como treinadora ou apoio emocional.
A gestão da vida cotidiana apareceu com 13,5%, onde os usuários pretendem utilizar a tecnologia para organizar compromissos e aliviar a carga mental.
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Em seguida, a liberdade de tempo surge como um desejo de 11,1%, permitindo mais momentos com família e amigos. Outras expectativas incluem independência financeira (9,7%), transformação social (9,4%), empreendedorismo (8,7%) e aprendizado (8,4%). Por último, a expressão criativa foi mencionada por 5,6% dos entrevistados.
Benefícios e riscos da tecnologia
A pesquisa também indica que cada benefício percebido na utilização da IA está acompanhado de um problema associado. O único ponto onde as reclamações superam os elogios é na tomada de decisões.
Por exemplo:
Cinquenta por cento dos participantes acreditam que economizam tempo ao usar IA; no entanto, 18% sentem que sua produtividade é ilusória. Outros dados mostram que 33% aprendem mais rápido com ajuda da IA contra apenas 17% que não se sentem assim. Quanto ao ganho econômico percebido por 28%, há um receio correspondente de perder o emprego para a tecnologia entre 18% dos entrevistados.
O neurocientista Álvaro Machado Dias analisa esses dados e sugere que não se deve ver os usuários como apenas favoráveis ou contrários à IA. “A grande questão é a assimetria: enquanto os benefícios são vivenciados diretamente, os danos são muitas vezes previstos”, afirma ele.
Diversidade de opiniões pelo mundo
Embora a maioria das pessoas avalie positivamente a inteligência artificial— sem nenhum país registrando aprovação abaixo de 60% — o nível de desconfiança varia conforme o desenvolvimento econômico das regiões analisadas. Na Europa Ocidental e Oceania, por exemplo, as taxas de rejeição são altas: 35,6% e 35,5%, respectivamente.
Os medos relacionados ao emprego influenciam essa desconfiança: na Europa Ocidental, 22,5% estão preocupados com suas ocupações devido à adoção da tecnologia; na Oceania esse número sobe para 24,3%. Em contraste, regiões como América Latina e Caribe apresentaram uma rejeição menor de 26,3%.
África Subsaariana mostrou – se ainda mais otimista com apenas 24,2% de rejeição. O especialista conclui dizendo que “a mesma tecnologia comprime vantagens onde elas já existem e serve de atalho onde elas faltam”, evidenciando as disparidades na percepção da inteligência artificial pelo mundo.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.


