Unicamp aborda China, IA militar e fake news na primeira fase do vestibular 2027
A primeira fase do vestibular da Unicamp 2027 foi aplicada neste domingo (18), das 9h às 14h, no horário de Brasília. A prova teve 72 questões de múltipla escolha e duração máxima de cinco horas.
Ao todo, 58.431 candidatos estão inscritos para disputar 2.523 vagas em 70 cursos de graduação. Especialistas apontaram questões sobre acontecimentos de 2025 e 2026, referências à própria universidade e temas ligados a pautas antirracistas e fake news.
Atualidades aparecem em diferentes disciplinas
Prova abordou acontecimentos de 2025 e 2026
Isabela Araújo Ramos, especialista em soluções educacionais do SAS Educação e graduada em Letras pela UFC (Universidade Federal do Ceará), destacou a presença de temas atuais em diferentes áreas. Em Química, uma questão tratou do Prêmio Nobel de Química de 2025 e da possibilidade de estruturas metal-orgânicas contribuírem para a captação de dióxido de carbono.
Outra questão relacionou as intoxicações por bebidas ocorridas no final de 2025 à hemodiálise e aos elementos envolvidos no tratamento. Em Geografia, a prova abordou a disputa geopolítica entre China e Estados Unidos e o uso militar da inteligência artificial.
Já em Língua Inglesa, uma entrevista com o ator Wagner Moura e Toni Morrison, referência da cultura e da literatura, serviu de base para uma questão sobre arte política. Ramos considerou interessante a abordagem de nomes da cultura brasileira em temas atuais.
No ano passado, a prova havia tratado do filme “Ainda Estou Aqui”; nesta edição, não citou “O Agente Secreto”.
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Questões fizeram referências à Unicamp
Especialistas também observaram questões que retomaram provas anteriores da Unicamp, principalmente em Matemática, Física e Geografia. Luiz Guilherme Novais, especialista em soluções educacionais do COC e mestre em ensino de Ciências, citou enunciados de Matemática que mencionavam provas antigas, como a de 1987.
Em Geografia, uma questão usou o logotipo da Unicamp para discutir tanto o simbolismo associado à universidade quanto uma possível representação espacial do campus. A resolução exigia que o candidato avaliasse essas duas dimensões, segundo Isabela Araújo Ramos.
Negritude, pautas antirracistas e fake news
Questões sobre negritude e pautas antirracistas apareceram em Geografia e em Literatura, com referências a autores canônicos como Lima Barreto e Machado de Assis, afirmou Novais. Em Ciências Humanas, a prova trouxe o Censo de 2022 e as mudanças na demografia étnico-racial brasileira, incluindo o aumento de pessoas que se autodeclaram pardas.
Para Ramos, a questão sobre o Censo propunha uma reflexão sobre o significado dessa mudança e sobre a influência da autodeterminação. Em Biologia, uma pergunta usou uma manchete falsa sobre vacinas de Covid-19 para abordar conteúdos da disciplina, como vírus.
Novais disse que negacionismo e fake news também apareceram em mais de uma questão.
Especialista avalia dificuldade como mediana
Novais classificou a prova como “mediana, nem muito difícil e nem muito fácil”. Entre as questões mais simples, citou uma de Matemática sobre sistemas de equação aplicados à arrecadação de fundos com venda de pizza.
Por outro lado, ele apontou como mais difíceis uma questão de matriz que exigia calcular o determinante e transformá-lo em um gráfico, além de uma pergunta de Geografia sobre abastecimento de água no Sudeste. Nesta última, era preciso comparar duas imagens com informações diferentes e estabelecer relações entre elas.
Novais também mencionou uma questão de Química sobre a metabolização e a absorção de isotretinoína no organismo como um dos itens mais difíceis da prova.
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Redação Saúde e Educação
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