Clientes do Ueno Bank ficam sem acesso ao dinheiro, e a crise leva à renúncia do presidente Peña

Com 3 milhões de clientes em um país de pouco mais de 6 milhões de habitantes, o Ueno Bank sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai.

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Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai | Foto: Reprodução/Seu Dinheiro

A crise do Ueno Bank acabou derrubando o presidente do Paraguai, Santiago Peña. Tudo começou quando milhares de clientes da instituição ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. A restrição às operações gerou revolta, levou manifestantes às ruas e elevou a cobrança sobre as autoridades.

Dias depois, o Banco Central do Paraguai interveio no banco. O caso, porém, já não se limitava ao setor financeiro. Acusações de conflito de interesses envolvendo integrantes do alto escalão do governo transformaram a crise em um problema político, que em menos de uma semana resultou na renúncia de Peña.

Um símbolo da modernização que escondia problemas

Até poucos dias atrás, o Ueno Bank era visto como uma das grandes vitrines da modernização do sistema financeiro paraguaio. A instituição reunia cerca de 3 milhões de clientes num país de pouco mais de 6 milhões de habitantes, patrocinava eventos esportivos e crescia em ritmo acelerado.

Por trás desse avanço, os problemas vinham se acumulando havia meses. Reportagens do jornal ABC Color apontam que órgãos de supervisão registraram ao menos dez alertas e relatórios internos desde 2025. As preocupações incluíam negócios com empresas do próprio grupo controlador, concessão de crédito tida como inadequada e dúvidas sobre a real situação patrimonial do banco. Esses sinais, contudo, ficaram em segundo plano até esta semana.

Banco Central interveio após diagnóstico de fragilidade

Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank ao concluir que a instituição já não cumpria as exigências mínimas para seguir operando normalmente. Pelo diagnóstico das autoridades, a situação financeira era bem mais frágil do que o mercado supunha.

A notícia teve impacto imediato. Enquanto clientes tentavam entender o destino do dinheiro, cresceram as perguntas sobre a origem dos problemas e sobre o papel dos órgãos encarregados de fiscalizar o banco.

Oposição mira a relação entre governo e grupo financeiro

A oposição passou a questionar as ligações entre o governo e o conglomerado financeiro. O foco era o histórico de Santiago Peña, que, segundo a mídia local, foi acionista da empresa que controla o Ueno Bank até o ano passado. As críticas ganharam fôlego com revelações sobre o volume de recursos de entidades públicas administrados pela instituição durante seu governo.

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Ainda na terça-feira, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia. Antes de chegar ao comando da autarquia, ele havia presidido o próprio Ueno, fato que ampliou a pressão sobre as autoridades.

Pedido de julgamento político e renúncia de Peña

No dia seguinte, deputados protocolaram um pedido de julgamento político contra Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. As acusações se referem à condução do caso e aos possíveis conflitos de interesse envolvendo o grupo financeiro.

Na quinta-feira, quando a Câmara dos Deputados se preparava para avançar com o processo, Peña antecipou o desfecho. Em pronunciamento à nação, ele anunciou a renúncia ao cargo e afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade institucional do país.

O que segue em aberto

As investigações sobre a instituição continuam, e as suspeitas sobre a relação entre o banco e o governo seguem sob escrutínio. O Congresso mantém o vice-presidente Pedro Alliana na mira.

A crise começou no sistema financeiro e já produziu efeitos políticos profundos, mas ainda parece longe de terminar.

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